Escambau, Eléctrico na gélida Curitiba.

maio 16, 2018

Oitava cidade mais populosa do país, Curitiba tem uma dinâmica altamente cultural. Na literatura, por exemplo, deu luz ao escritor Dalton Trevisan, ao mítico poeta/compositor Paulo Leminski com uma obra fortemente ligada a música feita no país e a nomes precursores do rock feito em Curitiba como A Chave, Blindagem e a partir do início dos anos oitenta a Beijo AA Força.

A pluralidade musical da cidade é intensa, do punk rock clássico aos anos 90 de bandas como Pinheads, a cena rockabilly e o festival Psycho Carnival, o indie rock do Copacabana Club, Audac, Ruido m/m, a cena mod/sessentista muito bem representada pela veterana Relespública, e no início dos anos 2000 por Dissonantes, Mordida, Criaturas, Tarja Preta e a Faichecleres, explosivo trio onde o baixista e vocalista Giovanni Caruso atuou até 2007 para em seguida expandir suas ideias no novo grupo Escambau.

O Escambau lançou seu primeiro álbum “Acontece nas Melhores Famílias” em 2009, em seguida “Ordem e Progresso via Pão e Circo”/ 2011, “Novo Tentamento” de 2014, o duplo “Sopa de Cabeça de Bagre” em 2017 e logo na sequência neste 2018 o novo EP “Eléctrico” cantado em espanhol. Este novo material (onde cada canção ganhou vídeo) e a discografia servem como prova viva da virtuosa jornada de trabalho e criatividade de uma banda que já deixou também sua marca na paisagem musical da gelada Curitiba.

Na entrevista que segue Giovanni Caruso (voz/guitarra) fala um pouco desta caminhada sonora.

01. Falem um pouco do início da banda, passando a trajetória de cada integrante até então?
O Escambau começou em 2009. Depois de me afastar dos Faichecleres, reuni algumas músicas que tinha na gaveta, compus outras e comecei a gravar um disco com a ajuda do meu irmão Glauco na bateria. Estava com urgência de recomeçar minha carreira logo, por isso optei por gravar um disco primeiro, antes de montar um grupo para cair na estrada. Nesse meio tempo foram aparecendo naturalmente os músicos que viriam a integrar o Escambau. Da formação original somos 4, eu, o Zo Escambau, Ivan Rodrigues, Paraguaya e por último, que também se integrou de uma maneira bastante química e natural, Yan Lemos, que está com a gente desde antes de 2012 acredito eu.

02. Em excelente matéria publicada recentemente no portal A Escotilha, o jornalista Alejandro Mercado comenta que “A Escambau não é uma banda – é uma idéia”, como isso tem funcionado na pratica?
Essa banda é uma viagem, é um troço mutante (e não resistimos a isso) e movido a muito amor, amizade e dedicação. Eu, particularmente, não vejo o Escambau preso a nenhum estilo, propriamente falando. Vejo essa banda como arte, uma arte não estacionária, e a contribuição de todos os envolvidos é muito forte. Sentimos que estamos atravessando o nosso melhor momento, tanto dentro do estúdio como em cima dos palcos, em vista disso estamos produzindo muito, se tivéssemos oportunidade, acredito que imediatamente poderíamos gravar e lançar um álbum quíntuplo. Temos um caráter poético muito forte também, as vezes até agressivo, isso, de repente, demarca um pouco o que o Alejandro quis dizer acho eu, o movimento, a insistência, a teimosia, a contracorrente, acho que tudo isso acaba entrando nessa “condecoração jornalística” que esse rapaz da A Escotilha nos concedeu. Ficamos muito felizes e agradecidos com as palavras que ele nos ofereceu.

30728045_1962584323792373_2114210334494425088_n03. O novo EP (todo cantado em espanhol) expande as experiências sonoras da banda, com ele há planos para apresentações e também frequentar programação de rádio em países da américa latina?
Acho que expande sim, temos fortes ligações com o Paraguay, sempre nos apresentamos por lá, onde temos muitos amigos e apreciadores do nosso trabalho, acredito até que devíamos isso a eles, de certa forma. Na argentina também, fizemos uma turnê de 5 shows por lá e saímos com essa dívida de cantar algo nosso no idioma deles, em julho próximo estamos com uma sequência de shows agendados nos dois países e vamos ver qual será a recepção agora que temos material autoral no idioma deles.

04. Falem um pouco do cenario musical em Curitiba, as dificuldades para seguir adiante produzindo material 100% autoral. Há artistas e bandas que vocês tem identificação?
Curitiba é uma ilha que não tem identificação sequer com o próprio estado a qual pertence e menos ainda com o país, isso torna tudo um pouco mais difícil comercialmente falando, penso eu. Por outro lado, é uma cidade repleta de poesia oriunda dos seus poetas alcoólatras, Curitiba tem muita arte estancada e eu acredito que um dia essa represa vai explodir de alguma forma. O Brasil não conhece o que se faz em Curitiba, aliás, nem Curitiba conhece o que se faz em Curitiba, é uma cidade muito louca. Tem muita música boa e criativa por aqui sim, basta interessar-se.

04. Se tivessem que escolher alguns discos fundamentais na construção sonora da Escambau, quais seriam estes discos?
Sonhos e Memórias do Erasmo, os 3 do Sérgio Sampaio, Tommy do Who, Something Else e Muswell Hilbillies by The Kinks, dos Beatles e Stones, tudo. Artaud do Spinetta, Sui Generis todos, Chistophe do Christophe, Construção do Chico, o primeiro da Gal, The Wings, tudo. Jupiter Maçã, tudo. Etc, etc, e etc. Difícil essa pergunta, hein?! Certamente esqueci 90% kkkkkkkkk…

05. Fica aqui um espaço aberto para deixar um recado aos interessados, dicas de endereços da internet para ouvir material ou saber das novidades.
Quem puder dar uma conferida no nosso trabalho já ficaremos muito agradecidos.

http://www.escambauoficial.com
http://www.facebook.com/escbanda

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Tarsis Cruz, Old and New Faces

fevereiro 2, 2017

14908335_1284945411567888_4972066285906993539_nTarsis Cruz é um talentoso desenhista de São Paulo que desde cedo descobriu a vontade de transformar o papel em branco em algo mais.
Seus estudos começaram em 1998 na Escola e Estúdio de Arte Igayara (com Waldyr Igayara). Tempos depois aluno da Quanta Academia, surge oportunidade de trabalhar com ilustração ao lado do professor Sam Hart, foi assistente de desenhos e colorista atuando em editoras nacionais (Scipione e Panini) e internacionais (como Walker Books-UK).
Recentemente Tarsis incluiu em seu cardápio de ilustrações o universo da sub culturas (Mod, Rude Boys, SuedHead) e também do  jazz, ska, soul. A ideia tomou forma em outubro de 2016 com sua participação no projeto Inktober, o material repercutiu de forma extremamente positiva e foi também oportunidade para exteriorizar sua paixão por música.
É dele a ilustração usada no material de divulgação da festa “Mods Mayday SP 2017“, que acontecerá em fevereiro no centro de São Paulo. Nesta breve entrevista Tarsis comenta sobre sua trajetória, mestres, influências e predileções musicais. Boa leitura.

01. Fale um pouco dos primeiros contatos com ilustração. Sempre fez parte do seus planos se tornar um profissional na área?
Eu sempre gostei de desenhar e de certa forma sempre acabava me destacando na escola por causa disso. Mas com o passar do tempo o hábito de rabiscar os meus cadernos foi se perdendo devagar.
Mas dai, na minha pré-adolescência em meados dos anos 90, houve o boom dos animes no Brasil, com Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, Shurato e os OVAS (Original Vídeo Animation) na temática cyber-punk que passavam às sextas-feiras num bloco chamado US Mangá, tudo na finada Rede Manchete. Isso tudo fez voltar minha vontade de desenhar sem parar e de sonhar com a profissão de desenhista.

02. Conte um pouco da sua trajetória até então.14695476_1271013559627740_5214863113774983650_n
Comecei a estudar formalmente desenho em 1998 na Escola e Estúdio de Arte Igayara, eu tinha 13 anos na época, e isso só aumentou mais ainda minha vontade de trabalhar com ilustração, ainda mais pelo mestre que tive, o Waldyr Igayara que era um ser humano fantástico, com uma bagagem artística e profissional absurdas. Ele trabalhou como editor-chefe da editora Abril por mais de duas décadas, viajando muito nesse período e conhecendo pessoalmente milhares de artistas renomados.
Mas foi em 2006, estudando na Quanta Academia de Artes que tive minha primeira oportunidade de trabalhar com ilustração, graças ao Sam Hart, que na época era meu professor.
Foi o Sam quem abriu as portas para eu começar a trabalhar profissionalmente com arte. Trabalhei com ele durante um tempo como assistente de desenho e depois comecei a colorir parte de seus trabalhos, a maioria histórias em quadrinhos, incluindo projetos nacionais para editoras como Scipione e Panini, e internacionais, para a editora Walker Books da Inglaterra.
Inclusive ano passado terminamos de produzir uma HQ para a Walker Books. Conta a história de Grace O’Malley, uma mulher pirata Irlandesa que viveu durante o século XVI e deu muito trabalho para a Inglaterra. A HQ tem roteiro de Tonny Lee, arte de Sam Hart e cores feitas por mim, com a assistência de meu grande amigo Flávio Costa, que conheço desde as minhas aulas com o mestre Igayara (e que também é um grande ilustrador, ainda mais mais quando faz retratos utilizando as técnicas de carvão e pastel seco). Espero que essa HQ saia ainda nesse ano de 2017.

03. Quais são suas inspirações? Quem você citaria como influência?
Posso citar aqui como minhas maiores influências o francês Moebius, o americano Burne Hogarth e o japonês Katsuhito Otomo. Posso citar aqui mais artistas que me inspiram muito, como Sergio Toppi, Masamune Shirow, Steve Dillon, Juanjo Guarnido, e mais recentemente os trabalhos de Gael Bertrand. A música também me influencia muito, principalmente o Jazz e o Math Rock. Três músicos que me inspiram muito são o baixista Jaco Pastorius e a dupla Omar Rodriguez-López e Cedric Bixler-Zavala da banda The Mars Volta.
Não posso deixar de citar aqui mais duas pessoas, Waldyr Igayara que foi meu primeiro mestre e Octavio Cariello, que conheci na época em que eu estudava na Quanta. Cito eles separadamente aqui porque eles não se destacam apenas como fantásticos profissionais, mas também como pessoas excelentes. Para mim, o mestre não é só uma pessoa exímia em determinada atividade, mas também alguém que leva esses conceitos todos para a vida pessoal, não só te auxiliando a ser um bom profissional, mas também te ajudando a ser uma pessoa melhor.
Mesmo meu mestre Igayara tendo falecido a mais de uma década, seus ensinamentos continuam vivos dentro de mim.

04. Quando surgiu o interesse em abordar em seus trabalhos o universo da sub culturas, (Mod, Rude Boys, SuedHead) e música, jazz, soul?
14906996_1285123231550106_6060618436574044118_nPara ser mais preciso, esse interesse surgiu ano passado quando decidi participar do Inktober. O Inktober é um exercício estimulado mundialmente onde no mês de outubro você produz uma ilustração arte-finalizada por dia, resultando em 31 desenhos no final. Como no fim das contas você não tem muito tempo para pensar no que vai fazer, porque são desenhos feito diariamente, busquei então uma temática que eu gostasse, assim não gastaria muito tempo pensando no que desenhar e me preocuparia mais com a execução. Só que o resultado final saiu melhor do que eu imaginava. Com a ajuda das redes sociais, principalmente do Instagram, minhas ilustrações tiveram repercussão tanto dentro quanto fora do Brasil. Com isso fiz uma exposição, vendi artes originas para fora do país e fui entrevistado pela Deep Flux, uma produtora argentina de eventos e artistas visuais, que entrou em contato comigo exatamente pelo fato de eu abordar as subculturas inglesas e os estilos de música negra. Aliás, de certa forma foi por causa desses trabalho que eu e você acabamos nos conhecendo e acabei sendo chamado para dar essa entrevista hahahaha. O fato de você aplicar em sua arte sua própria experiencia de vida, torna o seu produto final muito mais vivo e chamativo. Os bailes de Soul Music e early Reggae tem uma influência muito importante na minha vida, assim como o estilo de vida Mod. isso só trouxe mais valor para o meu trabalho.

download05. Em 2005 o ilustrador Dave Gibbons (Watchmen), estreou como roteirista (e também ilustrou) na HQ “The Originals – Sangue nas Ruas” (Conrad). A história se passa em um futuro retrô e revisita o conflito entre Mods e Rockers. Você tem planos de desenvolver algo semelhante? O Dave Gibbons é fantástico, e o fato do “The Originals” ter ficado tão bom bate com o que eu disse na minha resposta anterior, a experiência pessoal. O Dave Gibbons foi Mod em 1964 na Inglaterra. Ele sim tem muito o que dizer a respeito. Agora, com relação a eu desenvolver algo semelhante no futuro, vontade é o que não falta. Vou continuar produzindo ilustrações com essas temáticas e me juntar com outros artistas (músicos, roteiristas) para desenvolver trabalhos diferenciados nesse aspecto. Ainda esse ano vocês vão ver algo muito legal que está surgindo em parceria com um grande amigo meu, mas não gosto de falar de projetos sem antes tê-los lançados ao mundo.
Não sei se eu faria num futuro próximo uma HQ, ainda mais porque nunca estudei muito sobre criação de roteiros, e também porque produzir uma HQ de qualidade requer muito tempo e esmero. Mas num futuro um pouco mais distante acho que provável sair algo do tipo. Vamos ver o que o tempo há de fazer.

cartaz-mods-mayday-sp-201706. Tarsis fica aqui um espaço para divulgar seus trabalhos, links e endereços na internet, muito obrigado pela oportunidade, um grande abraço.
Antes de tudo Sandro, gostaria de te agradecer por essa oportunidade e pelo seu interesse em meu trabalho. Já te disse pessoalmente várias vezes de como te admiro pela sua importância para o rock paulista e por ser um dos fundadores do movimento Mod aqui no Brasil, tudo em uma época onde internet era coisa de ficção científica, e para ter acesso a essas informações tinha que ralar muito e realmente fazer parte da cena. Meus contatos:
Portfólio: http://www.tarsiscruz.daportfolio.com/
Instagram: https://www.instagram.com/tarsis_cp/
Facebook: https://www.facebook.com/tarsiscruzz
Valeu!


No percurso rumo ao espaço oculto.

outubro 16, 2016

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Verdadeiro patrimônio do rock paulistano a banda Violeta de Outono acaba de lançar seu novo álbum batizado de “Spaces”.

O grupo iniciou sua trajetória nos anos 80, a formação original em power trio registrou seu primeiro álbum em 1987, clássico irretocável do rock brasileiro, um resgate memorável da psicodelia sessentista, somado a energia e criatividade de grandes nomes do pós punk daquele período.

“Spaces” solidifica a segunda fase da banda em quarteto, formato que vem atuando em palcos e estúdios há cerca de dez anos. Fabio Golfetti integrante original e principal articulador da sonoridade do grupo, também guitarrista oficial do Gong, explica que o novo disco (que traz uma das letras e design inspirado na obra do poeta e pintor suiço Paul Klee) completa uma trilogia iniciada com “Volume 7” lançado em 2007 e Espectro de 2012.

A formação atual do Violeta de Outono é Fabio Golfetti – guitarra e voz, Fernando Cardoso – teclados, Gabriel Costa – baixo e José Luiz Dinola – bateria.

01. O lançamento do álbum “Spaces” solidifica a trajetória do Violeta de Outono em formato quarteto, ao mesmo tempo completa a “trilogia” de álbuns onde a banda passou a explorar com mais intensidade a sofisticação do jazz, prog, space rock, a cena de Canterbury. Fale um pouco sobre esta fase atual da banda e o início nos anos 80.
Considero praticamente duas bandas, o trio original formado em 1984, com uma proposta de som psicodélico, que resgata a sonoridade de 1966-67 porém influenciado pela atmosfera da época, mais cinzenta e menos colorida, fui buscar a inspiração na poética melancólica oriental, chinesa. As referências musicais do Angelo, Claudio e minhas eram as mesmas, crescemos ouvindo rock progressivo, jazz, música contemporânea e brasileira do Gismonti, Clube da Esquina, além de estarmos ligados às artes visuais com arquitetura e fotografia. Após esse período que rendeu o conceito a sonoridade do grupo e durou duas décadas, decidimos pela entrada de mais um elemento, para buscar uma renovação, os teclados, que havíamos experimentado 10 anos antes e instantaneamente o som se transformou em algo familiar que eu ouvia desde minha adolescência, de um leque que ia de Soft Machine, Syd Barrett Pink Floyd, a Terço. O novo álbum Spaces é a síntese dessa era que se iniciou em 2007 com o álbum Volume 7 que considero um segundo começo do Violeta de Outono.

publicpreview02. Descreva um pouco o processo de gravação do disco.
“Spaces” foi gravado de forma diferente dos outros álbuns, aliei meus conhecimentos MIDI dos anos 1990 à experiência dos últimos 4 anos gravando com o GONG na Inglaterra, e planejei o disco em cada detalhe. O processo começou em ensaios, onde experimentávamos arranjos e formas, e eu registrava as ideias e passava para meu software de composição para sincronizar com o click (metrônomo). Fizemos esse processo durante meses, até que a forma de todas as composições estivesse definida, e decidimos ir ao estúdio. Gravamos todos juntos tocando sobre a base eletrônica, e posteriormente substituímos gradativamente as partes individuais de órgão, pianos, synths, guitarra. Porém, nesse processo, muitas partes da demo original foram utilizadas. Hoje a diferença entre gravar em um bom estúdio e na sua casa é muito pequena, de modo que uma demo já é a arte final.

03. Quais foram as principais influências para compor o material deste novo trabalho?
As influências foram os álbuns anteriores, principalmente “Volume 7” e “Espectro”. “Spaces” é um álbum conceitual, em que todas as faixas têm relação entre si, embora sejam bem distintas umas das outras. A faixa que abre o álbum, ‘Imagens’, foi composta coletivamente em ensaios, onde o tema surgiu inspirado numa sequência de acordes utilizada no álbum ‘Espectro’, como se fosse uma continuação e evolução do próprio trabalho da banda. Outras faixas foram compostas individualmente e arranjadas em grupo. O álbum foi composto influenciado pelo vinil de dois lados, existe uma mágica em ouvir 20 minutos e fazer uma pausa, mesmo que seja uma única música ou várias emendadas, como é o caso das 3 primeiras faixas, o lado A.

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04. O show no Sesc Belenzinho em 22 de outubro marca o lançamento do novo álbum, comente sobre esta apresentação, o set list, os critérios de escolha das músicas.
Faremos um show especial tocando todas as faixas do álbum, para marcar um lançamento e também experimentar o som ao vivo, apesar de que já tocamos todas as faixas em ensaios durante meses.
Não sei dizer quais serão as faixas que vamos manter em shows futuros, mas a ideia é tocar músicas da “trilogia” “Volume 7”, “Espectro” e “Spaces”, e eventualmente algum clássico dos anos 1980. A decisão em focar no repertório atual e gradativamente deixar de lado os anos 1980 é estética, essa banda atual desempenha muito melhor o material composto pelos atuais integrantes, isso é natural, e também essa é uma banda que está em plena evolução, não faz sentido ficar revisitando o passado constantemente, que já foi bem feito e registrado.

05. A banda tem acompanhado o trabalho de artistas e grupos atuais?
Eu (Fabio) tenho acompanhado muito pouco, atualmente trabalhando full time com 2 bandas, o Violeta e o GONG (na Inglaterra), tenho focado e me dedicado apenas a elas, mas sempre acompanho as sugestões do Gabriel Costa que é a antena do grupo, e está presente em vários eventos musicais. Além disso, meu filho Gabriel, que nasceu um excelente músico, é uma das minhas referências dos caminho atuais.

06. Fica aqui um espaço aberto para o Violeta deixar o seu recado aos interessados, dicas de endereços da internet para ouvir material ou saber das novidades.
Agradeço mais uma vez a oportunidade de expressar um pouco sobre nosso trabalho, acredito muito em projetos como este, “vítimas da op art”, pois o Violeta de Outono se manteve por todo esse tempo, graças a iniciativas como essa e o próprio fanzine Invisível, publicado pela banda nos anos 1980-1990. O site atual com as informações oficiais é www.violetadeoutono.com. O disco “Spaces” e outros podem ser adquiridos através do proprio site, por intermédio da gravadora Voiceprint www.voiceprint.com.br


Modulares, conspiração de círculos e setas.

outubro 13, 2014

Em uma megalópole como São Paulo, cidade acolhedora de muitos estilos musicais feitos no país, o rock é ainda (nos subterrâneos) uma pungente trilha sonora.

Neste circuito, ciclos se repetem (casas fecham e outras abrem) e através dele bandas geniais mostram seus trabalhos, palcos como do Astronete, NEU, Hotel Tee´s, Sensorial Discos, Zapata, Porão da São Francisco, Show na Rua (no centro na Barão de Itapetininga) e o extinto EC Walden (só para citar alguns nomes) são vitrine de centenas de grupos, que estão a todos vapor, transformando monotonia em arte, gravando e viabilizando seus discos.

É este o “habitat” da banda paulistana Modulares que acaba de lançar seu excelente EP vinil 7′ através da parceria Discos Além e Groovie Records de Portugal. Nele o grupo destila com vigor suas referências do Mod revival, garage bandas 60’s, soul music, punk 77, pub rock. Grandes shows pela cidade e ótimas composições que já frequentam o “play list” de web radios na Europa, com isso conquistaram ouvintes na Espanha, Inglaterra, Itália, Portugal e França. Na entrevista que segue o guitarrista e vocalista Jun Santos comenta da banda e também deste novo EP, boa leitura.

01. Fale um pouco sobre o início dos Modulares até a formação atual.
Olá Sandro… muito obrigado pela oportunidade de abrir espaço para divulgarmos nosso trabalho em seu fantástico blog, meu caro.
Olha só, sempre digo que a banda começou a partir do “início do fim” do Laboratório-SP. O vocalista se mudou para Curitiba/PR e como eu já compunha ali no Laboratório, resolvi montar uma outra banda, algo que eu já estava planejando, sempre quis cantar as coisas que compunha, enfim. Eu tinha lá comigo um dos melhores bateristas de São Paulo, o Fábio Barbosa, então resolvi chamar o Almir (ex-baixista do Laboratório-SP) e então formamos a Modulares.Modulares Na Contramão! Ep
No início éramos um power-trio, fizemos uns três shows nesse formato, daí senti a necessidade e a vontade de ter um segundo guitarrista. Então, chamei o Pedro Carvalho. Ele sempre estava presente nos shows das minhas bandas e também estava nos dois primeiros shows da Modulares em São Paulo. O Pedro sempre foi da banda na real, eu acho! (risos).
Com saída do Almir por motivos de trabalho, ficamos sem baixista (daí começa a saga), então nosso grande amigo Sandro Garcia resolveu nos dar uma força. Foi muito bom esse período, gravamos o segundo Ep da banda com essa formação, o que nos rendeu bons frutos. Até hoje tocamos todas as faixas desse Ep nos nossos shows.
Após a saída do Sandro, resolvemos chamar o Xandão, um amigo de longa data e que também tocou por um bom tempo conosco. Com ele no contrabaixo gravamos o Ep Satélites, e logo depois… ele saiu também. Morava em Santos e era meio difícil ensaiarmos e tal…
O baixista seguinte foi o Rafael Roque, grande baixista d’Os Skywalkers, eu achei que seria a formação definitiva. Muitas músicas inéditas estavam sendo ensaiadas com ele, e então gravamos dois sons inéditos para o Ep que sairia pela Groovie Recs e tal… logo depois disso, divergências musicais e pessoais acabaram resultando na saída dele da banda.
Atualmente está tocando contrabaixo conosco o Gabriel Guerra, que conheci através do The Tries. O Gabriel sempre foi a quase todos os shows da Modulares, ele gostava muito da banda, sabia todos os sons, e quando eu soube que ele já tinha tocado baixo antes, fiz o convite, e ele aceitou de pronto. Estamos agora bem satisfeitos, ele tem referências musicais muito parecidas com as nossas, e toca  muito bem. Estamos ensaiando para registrarmos em breve nosso primeiro álbum, um 12 “ que espero que saia o quanto antes. Estamos com umas 10 faixas inéditas e estamos preparando algumas regravações antigas também, vamos aguardar né?

Modulares Ep Capa Groovie Recs Além Discos02 – Como surgiu a oportunidade de lançamento do novo Ep vinil 7” através da Groovie Records de Portugal? Então Sandro, essa oportunidade surgiu através do Tiago Tellini e do Pedro Brandt, de Brasília/DF.O Tiago, todas as vezes que ia aos nossos shows, sempre me falava: “ – Poxa Jun, temos que lançar vocês em vinil pela Groovie!!!”. Daí veio o Pedro com uma idéia de montar seu próprio selo, a Discos Além. Ele sempre foi um grande entusiasta da banda desde que nos ouviu a primeira vez, segundo o próprio. Então, como tínhamos umas músicas inéditas ali meio que prontas já, resolvemos topar a parceria e terminar esses dois sons inéditos, colocamos duas músicas do Ep Satélites, fizemos uma boa master para vinil, e finalizamos rapidamente as coisas com o Edgar, lá de Portugal. Foi tudo muito rápido e natural, estávamos ali, nos convidaram e topamos de imediato, eles também fizeram tudo muito rápido.

03 – Esse material pode abrir oportunidades de shows no Exterior? Há planos nesse sentido? Bom, eu acredito que, de certa forma, pode abrir esse tipo de possibilidade sim, claro. O interessante Sandro é que a Modulares já tem uma certa reputação na gringa, ali na Europa principalmente, desde os tempos de Myspace… mas nunca tivemos um material como esse para trabalhar nosso público lá fora. Já estivemos em muitos blogs, alguns zines, web radios e tal, é curioso… porém não tínhamos material oficial lançado para trabalharmos isso, como disse antes. Já fomos convidados para tocar no Mods Mayday Italia, com papel timbrado e tudo, coisa séria, mas não tínhamos grana para isso. Nem material de gravação adequado, nem merchans, nem nada para tentar levantar qualquer quantia que fosse para tal empreitada (risos). Planos não existem no sentido de tocar fora, pois sabemos que fazer algo desse tamanho, uma tour na Europa, é uma coisa muito cara, requer uma série de fatores e planejamentos. E como todos da banda também têm empregos formais e tal, a logística da coisa fica um pouco mais difícil. Porém a possibilidade está aberta sim, eu tenho essa vontade, nosso som é muito bem aceito lá fora. Com o lançamento desse novo Ep já tivemos ótimas respostas da Espanha, Inglaterra, Portugal, França… seria uma questão de planejar e receber as propostas certas, e mantermos os pés no chão… para não trocarmos os pés pelas mãos, né?

Modulares AutoRock 2014 2

04 – Quais as principais influências da banda? Acho que a Modulares hoje em dia consegue juntar muitas influências em seu som, e acho que já estamos, aos poucos, conseguindo produzir um “som Modulares”. No ínicio, éramos muito influenciados pelo The Jam e o Mod Revival Britânico dos ‘80s, muito mesmo, nas letras, sonoridades, tudo… tínhamos uma coisa meio garagem também, com um pouco do post-punk oitentista e tal… porém, isso foi mudando a medida que fomos tocando, vieram novas formações, novas composições, outras referências…
Hoje a banda está em um estágio que fica até um pouco difícil definirmos assim de cara nossas referências… nós estamos sempre procurando nosso som, eu acho que a influência das coisas do Punk  ’77 estão presentes, e bem presentes, nas duas faixas inéditas desse nosso último Ep, por exemplo, a coisa do Pub-Rock aliado ao Punk… isso muito me atraí como referência.
Mas para o disco novo temos composições com bastante coisas diferentes do que a banda está acostumada a fazer, coisas da psicodelia britânica dos ‘60s, algumas coisas de Soul Music, Folk Rock, French Freakbeat dos 60’s, essas coisas… estamos abrindo um pouco mais o leque de influências para o novo trabalho.

Sound Affects05 – Juninho, sem ordem de preferência, liste dez discos que fazem parte da sua discoteca básica? Bom, sem ordem de preferência, aí vai:
Sound Affects – The Jam
Ignition – The Music Machine
Revolver – The Beatles
Curtis – Curtis Mayfield
Live At the Apollo – James Brown
What’s Goin’ On – Marvin Gaye
Another Music In A Different Kitchen – Buzzcocks
Ogden’s Nut Gone Flake – The Small Faces
Searching For The Young Soul Rebels – Dexy’s Midnight Runners
Forever Changes – Love
*menção honrosa para Mudança de Comportamento – Ira!

06 – Finalizando, deixe aqui as dicas de links e endereços para conhecer e adquirir material da banda. A banda tem uma fan page oficial no Facebook e músicas no Soundcloud
E temos aqui o e-mail de contato para shows e vendas do nosso Ep em vinil: modulares13@gmail.com

Obrigado pela oportunidade ai Sandro, e um grande abraço de toda a Modulares aí Jun.


Plato Divorak, graduado em loucuras de rua.

fevereiro 29, 2012

Foi em meio a efervescência do rock dos anos oitenta que Plato Divorak iniciou sua trajetória. De certa forma a sua imensa e instigante produção musical desde então têm um paralelo com músicos de Porto Alegre (só para citar alguns nomes) como: Júpiter Maçã, Frank Jorge e Nenung, que já algum tempo vem empunhando um instrumento e escrevendo grandes canções.

Em constante ebulição criativa, Plato é um personagem que já circulou por inúmeros projetos e bandas e com elas desenhou um rico panorama sonoro, absorvendo um pouco de tudo que foi produzido na música mundial (e devolvendo petardos para um público atento), do rock ao soul, do punk ao krautrock, da tropicália ao glam, sem deixar de citar sua habilidade em escrever letras incríveis que fundem a poesia beat, o surrelismo, o noir. 

Podemos tomar como ponto de partida a banda Père Lachaise, onde atuou como vocalista ali na segunda metade dos anos 80, depois, a partir de 93 esteve a frente da Lovecraft um explosivo combo de psicodelia, mod, folk, glam. A Lovecraft lançou em 1996 seu primeiro álbum com 22 canções, o disco também serviu para sedimentar o seu selo, a Krakatoa Records, base para difundir uma infinita quantidade de compilações e seus trabalhos solo. Vale lembrar mas sem entrar em detalhes de datas e formações de alguns projetos que Plato esteve envolvido: Valentine Ray-O-Vac, O.F.F, Os Jaquetas, Perè Lachaise, Lovecraft, Frank e Plato (depois acompanhados da banda Empresa Pimenta), Plato Divorak e Os Sha-Zams, Momento 68, Plato e Os Analógicos, Plato Divorak & Clepsidra, Plato Divorak & Os Exciters, La Odyssea, Platodelic.

Foi através da Krakatoa que em 1997 Plato lançou seu primeiro material solo os dois mini-álbuns (cada um ocupando um lado do K7) intítulado “Movimento Abracadabra/July Obscene” um material recheado de psicodelia pop, acid folk e experimentações, é dele faixas como “Roni” (parceria com Gésner Mess), “Toda Glória de Geléia Raio-X” (parceria com o baixista Régis Sam) e “Freak Out Smile” música que mais tarde ganharia um vídeo clip produzido por Munir Scorpio.

A partir de então vieram uma sequência de discos, compilações de out-takes e lives, como: “Nova Música Proposital Brasileira” de 1998, com faixas gravadas pela banda que o acompanhava Os Sha-Zams, “Eros” também em 1998, o disco de out-takes “Platossaurus Erectus” de 2001. Em 2005 ele lança pelo selo paulista Baratos Afins o álbum “Calendário da Imaginação” seu primeiro material feito em fábrica que compila varias faixas de sua carreira até então. Em 2006 através de outro selo paulista a Open Field sai o disco “Besta Luminosa” outra antologia de suas varias fases musicais, em 2008 lança pela Krakatoa  dois discos “Vulcão de Preciosidades” (que traz raridades como o inusitado cover de “I’m in You” de Peter Frampton e faixas de Frank e Plato e Empresa Pimenta) e “Good Memories” com dois shows na Sala Radamés Gnatalli nos anos 90. Outros títulos (tanto em K7 ou CD) servem para engrossar a lista de suas excursões por estúdios de gravação, como o primeiro material da dupla Frank & Plato “Teen Idols Fora de Órbita” de 97, o álbum ainda inédito do duo (acompanhados da Empresa Pimenta) chamado “Amnésia Global”, a primeira demo do Momento 68 “Onde Estão suas Canções?” de 99 o disco “50 Mosaicos Basileiros” cinquenta canções gravadas pelo projeto La Odyssea em 2001 e “JazzyPunxAquariusLab” gravado em 2003 por Plato, Biba e Zé do Trompete em 2003, ambos lançado em 2008 pela Krakatoa Records.

Se dedicando ao projeto Plato Divorak & Clepsidra (desde de 2005) e que mais tarde se transformaria em Plato Divorak e Os Exciters, grava em 2007 o excelente  primeiro álbum com esta banda, agora metamorfoseado de Platodelic lança “High Times Transcendental” disco que serve para alavancar a entrevista que segue com este inquieto músico e compositor.

01. Já algum tempo na estrada, foi a partir de 2005 que você estabilizou uma parceria com o músico Leonardo Bonfim resultando no ótimo primeiro disco “Plato Divorak e Os Exciters”. Neste seu novo álbum, o inspirado “Platodelic – High Times Transcedental”, que também traz uma grande diversidade sonora você contou com outra parceria, a do músico Juan Acosta, fale um pouco sobre o processo de composição e também sobre as gravações.
E aeh Sandro… com este disco, Os Exciters conseguiram fechar um ciclo, e já possuímos material inédito para um novo disco. O Platodelic durou um ano para ter seu cd gestado. O Juan é um grande amigo meu, brasiguaio, e mora no simpático subúrbio do “Jardim Ipú”. Vários fins de semana eu ia para lá e para o seu home estúdio, arquitetar, experimentar instrumentos e rabiscar boas letras, com bom humor e filosofia, como eu gosto. O Juan chamou seu estúdio de “Jardim Central” tudo correu a mil maravilhas! No caso da faixa “Sentado com o Guru” tivemos que chamar um amigo dele que morava a um quilômetro dalí, para manejar um “Udú” e uma ocarina que não são tão fáceis assim de tocar. Foi o Marcos Diego quem o fez, vocalista da “Erik Van Delic” grupo de Juan. O nome “Platodelic”, é um mix de Plato com Delic. O processo é assim: o Juan como produtor e músico, e eu como músico e com boas “pinceladas”.

02. Quais foram suas principais referências musicais quando estava produzindo este novo material?
Nossas principais referências eram “Early Pink Floyd”, tudo de Syd Barrett e o Tyranossaurus Rex (1ª fase acústica). Tanto Juan como eu trouxemos influências de rock latino 60/70 tipo “Luis Alberto Spinetta” (Alemendra e Pescado Rabioso), Los Shakers, “Arco Íris – todos esses divinos. Eu trouxe o jazz, o soul e a jovem guarda. Ele pôs peso e guitarras com ótimos timbres, tanto nos solos como no ritmo. Juan soube usar “frames”eletrônicos super sutís e as baterias são assim também, mas parecem orgânicas. Curtam o primeiro Platodelic na “Trama Virtual”, porque já estamos premeditando o segundo (que talvez seja cantado em espanhol) petardo!

03. Sem se prender a exatidão de detalhes, você faz idéia de quantas composições, parcerias e letras já acumulou desde de suas primeiras experiências musicais nos anos oitenta?
É quase impossível saber, pois eu possuo masters (em formato de cd) que tive de emprestar a uma ou duas pessoas. Ah, e tem as obscuridades como a faixa “Flower Punk” da Lovecraft, que está na compilção “Saifaíscaflex” de 2002. Se eu não encontro ela alí, não sei o que seria da contagem toda. E eu acho isto de real relevância. Olha, quanto à primeira música: foi com os “Jaquetas”, foi entre “Madame X” e ” Nação e Máfia”…eu cantava e tocava baixo. Foi em 87, um ano prolífico em que as pessoas saíam a noite e não voltavam, Ih Ih!

04. Em retrospectiva, quais os pontos positivos (ou negativos) que você destacaria na sua jornada musical até então, alguma realização pessoal ou um fato que hoje você resolveria de uma outra maneira?
Tudo foi positivo, foi uma escalada até o “limiar profissional”, digamos assim: que conhecí em 1990, com os shows pelo interior, com a “Père Lechaise”! nunca tive problemas também de tocar ao lado de “drogados” ou coisa parecida. Sempre toquei com uma “nata”… Na “Père” eu estava ao lado dos melhores guitarmen da cidade: Vasco Piva, Lúki Flores e Eduardo Christ. Tive uma experiência com ácido lisérgico e isto para mim, faz muita diferença, é diferente das bolas. Eu faria tudo de novo, a mesma velinha no chão…as pessoas não dão a mínima. Eu quero que elas se fodam!!!
 

05. O que exatamente te serve de incentivo e inspiração para continuar seguindo em frente, lançando discos, compondo, fazendo shows?
O tesão é a minha inspiração. A liberdade que a gente pode ter dentro da música também. Durante muito tempo eu manejei os “effects” lá pelo estúdio do Thomas Dreher, aquilo me contaminava! ainda faço isto, mas de forma mais ponderada eu disse uma vez ao Zé do Trompete: – merecemos ser ouvidos por mais de mil!! e ele acenou com a cabeça. O último anjo que ví foi Juan, com suas longas asas brancas, ih, ih… Estamos (Exciters) preparando uma tour no centro do Brasil e isto é parte do nosso negócio. O pensamento já está lá. Sou como os flashes de mil filmes passando rapidamente pelos olhos. Sou anfetamínico e para mim isto nunca foi problema.

06. Sem ordem de preferência quais são os discos que fazem parte da sua discoteca básica, aqueles que você sempre volta a ouvir em casa?
São discos cheios de mistérios e grooves como o “Sgt Pepper” dos Beatles, o “Forever Changes” do Love, o “The Velvet Underground and Nico”, o “Truth” do Jeff Group, o “An Anthology” do guitarmen Duane Allman. Tem o “Cannibalism” do Can, tem o “Sell Out” do Who e o “Vol.4” do Black Sabbath, têm o “Safe as Milk” dos Captain Beefheart e o “Spaces” do Larry Coryell. Meu gosto é muito eclético e a sonzeira já sai no capricho, Sandro. Eu teria mais 100 anos para colocar aquí, só de guloseimas. Sou um cara feliz, pois sempre tive meu aparelhinho de som para escutar tanto cd como K7, tanto vinil como rádio e tal…só o Blu-Ray é que ficou de fora! (risos)

07. Se você fosse convidado para gravar um disco reinterpretando canções de um artista brasileiro, qual seria este artista?
Ah sim, poderia ser um disco só com músicas do “Caetano Veloso” e suas 2 primeiras fases: da tropicalista eu cantaria “Eles” ou “Superbacana” entre tantas outras. Ah, “Cinema Olympia”… na fase “exilado” eu amo “Maria Bethânia” e “You don´t Know Me”. Mas Caetano para mim é permanente. Eu cantaria “Tigresa”, “Irene” e claro, “Leãozinho”. É muito foda, eu poderia ter escolhido artistas como “Luís Melodia”, o “Arnaldo Baptista” ou o “Valter Franco”, mas conheço no máximo 3 vinis de cada um.

08. Conte um pouco da sua recente passagem pela Argentina e Uruguai e sua entrevista na rádio Colonia?
Colônia de Sacramento é uma cidade linda, as margens do Rio da Prata. Se você atravessar de balsa (uma hora de viagem) estará em Buenos Aires. Pois lá em Colânia têm uma rádio (que descobrí desta vez), não uma rádio rock, mas com muito futebol e pecuária. A Dj “Ana Cláudia” fez uma entrevista comigo, falamos sobre tudo. Ela tinha o cabelo que a Elis Regina usou em 1970! ela perguntou qual era o “hit”, eu apontei o dedo na contracapa do cd de “Plato & Os Exciters” e era “Jacqueline dos Theatros”. Ela disse que no dia seguinte, ia rolar no turno da noite. Tive que sair antes para “B.Aires” (albergue da “Calle Florida”, pessoas do mundo todo!!) a diária é tipo 35 reais…e o lugar têm de tudo, drinks, posters do Che Guevara e Borges, e um pub no subsolo chamado “Fusion” (onde me apresentei com uns “candomberos” num “sarau” mucho loco) com muita variação popular. Lá eu toquei um set com “Leãozinho” do Caetano, e mais duas minhas: “Freak -out Smile” e “Puressence Oscillator”. Teve leitura de poesias e até dança árabe !!!, na cidade. Fui ainda calorosamente recepcionado pelo pessoal da “Rádio La Tríbu-Fm”, está sim, 80% rock e afins. Eu sempre com um espanhol “mesurado”, explicando o que foi a Tropicália, a Jovem Guarda no Brasil. Eles gostaram muito, acharam divertido e rolamos “Eu sou um ídolo Pop”, que é a primeira do cd. Foi uma viagem inesquecível! passei por quatro cidades, as duas primeiras foram “La Paloma” e “Montevideo” no Uruguai.

09. Fale um pouco de sua participação no programa da rádio “Chimia Geral” na Ipanema Fm, como aconteceu o convite?
O “Chimia Geral” é o programa de meia-noite da Ipanema-Fm, aquí em Porto Alegre. Pois eu conheci o Dj “Fábio Godoh” há um bom tempo, só não me lembro como, não quero falar bobagem. Ele é o cara mais entusiasta do rock gaúcho que eu conheço. O meu programa é toda quinta-feira da zero hora até as duas da manhã. Vamos rolar vários vinis, incluindo o do “Rock Rocket”, pois toquei aqui com eles, no “Beco”, tava uma loucura, gente saindo pelo ladrão. E tem um set em que eu e o Leonardo Bomfim (guitarra dos Exciters) subimos no palco! Um aviso para o pessoal: tentem achar a “Ipanema – Fm 94.9” no computador, Ipanema.com.br, é gol de placa.


10. O que vem pela frente depois de “High Times Transcendental”?
Vários projetos prontos e pedindo sigilo, que é para não entrar nem aranha, nem morcego! Te digo que o próximo disco será em meu nome, “Plato Divorak” (é meu sétimo como “solista”) e terá (já está gravado, com outtakes, inclusive) uma seleção all-star de músicos daquí! Uma verdadeira ópera com duas faixas superlongas. Os meus parceiros e investidores estão preparando uma coalisão de gabarito. Quero que os fãs e as pessoas fiquem sabendo disso tudo. Peguem as músicas de trabalho lá no site da Senhor F, o nome do single é “Psychodisk”. Ah! até o fim do ano sairá o segundo cd de “Plato Divorak & Os Exciters”.

11. Deixe aqui um recado, algo que queira divulgar para aqueles que já conhecem os seus trabalhos e também para aqueles que nunca ouviram seus discos, projetos e parcerias.  
Eu quero avisar o povo todo que logo, logo, vamos colocar uns dez ou doze cds para baixar no meu site: platodivorak.com. Já ouviram falar do “jazzypunxaquariuslab”? um disco de jazz cósmico, com teclados e trompete que organizei e toquei em 2002…Outra raridade é o “La Odyssea”, cinquenta músicas (de um minuto e pouco cada).Meu e-mail: platodivorak@gmail.com, minha caixa postal lesbian chic: Cx. Postal 517 Agência Central – Porto Alegre – RS CEP 90001-970. Também estou no Facebook! Só queria avisar, pra acabar, que o site é novo e o pessoal pode pegar os cds, bottons e camisetas do “Plato Divorak & Os Exciters” assim como ler o release sobre o nosso disco feito pelo Pedro Brandt .
Um abração aí para o Sandro e a Consuelo e todos.
Keep the Faith!

Download do disco “High Times Transcedental”
Créditos das Fotos – Giovani Pain: Plato e Juan (show na Casa da Traça) e Gabi Lima: Plato Divorak e Os Exciters


Os Skywalkers, Tropitralha a todo vapor.

fevereiro 9, 2012

A capital paulista testemunhou na segunda metade dos anos noventa uma movimentação de bandas e selos independentes. Foi um período de autoprodução, apoiado por gravadoras ainda iniciantes como a Slag, Menino Muquito Records e a Ordinary Recordings, e seus lançamentos em formato fita k7. Surgiram bandas como: Pullovers, Sala Especial, Flaming Salt, Os Espectros, Effervescing Elephant, Buchers Orchestra, Red Meat, Ultrasom, Monokini, Liquid, Super Heaven, TPM, Objeto Amarelo, Forgotten Boys, Fishlips, Ponche, Momento 68, Headache entre muitas outras. 

Foi nesse contexto (de novidades) que em 1997, vindos da zona leste, Os Skywalkers deram seus primeiros passos, resgatando o rock de garage sessentista de bandas como: Love, C.A. Quintet, Strawberry Alarm Clock, Seeds e Music Machine. O trio formado por Pedro Bizelli (voz e guitarra), Alberto Ziolli (voz e baixo) e Rodrigo Lobatto (bateria) começou a esboçar suas primeiras composições em inglês, e o fizeram quando a zona leste ainda não havia chamado a atenção para sí, por agrupar logo depois muitas outras bandas que dialogariam com influências semelhantes, vindas do proto-punk, garage Nuggets, Mod e psicodelia. A Slag Records lançou dois K7s “Inside You” e “What´s Reality” que apresentou o material inicial do grupo. Em 2000 a banda incluiu a faixa “I’m Feeling So Blue” na compilação “Brazilian Pebbles” lançada pela Baratos Afins e no ano seguinte gravaram o K7 “A Caixa Mágica” com parte do repertório em português e o novo baixista Rafael Roque.

Com esta formação a banda lançou em 2002 o primeiro álbum “Correndo Atrás do Perigo” pelo selo Baratos Afins, de bônus algumas faixas do K7 “A Caixa Mágica”. Foi uma etapa onde Os Skywalkers  passaram a explorar composições em português e sonoridades além do rock de garage, como a Tropicália (ou ao lado de outras bandas da zona leste a “Tropitralha”), o soul, a jovem-guarda, e a música brasileira. Estética adotada pela banda desde então. No ano seguinte o grupo participou do evento de comemoração dos 25 anos da Baratos Afins no Sesc Pompéia, tocaram em festivais de rock independente pelo Brasil e em casas alternativas, SESCs e espaços públicos como CEUs, bibliotecas e programas Hangar e Pop Mix veiculados pela TVA. 

O entrosamento e aprimoramento musical desde o início do grupo (que passou a contar com Audrey Marie no teclado) foram aplicados no segundo álbum “Zenmakumba”, lançado em 2005, também pela Baratos Afins. O disco foi recebido de forma super positiva pela crítica, elogios merecidos de Pedro Alexandre Sanches, Kid Vinil e Fernado Rosa. “Zenmakumba” apresentou grandes canções como: “Saudação”, “Papo Furado com Irene”, “São Jorge na Lua” e “No Futuro”, valorizadas por ótimos arranjos, naipes de sopro e percussão, costuradas por letras bem sacadas com toques de humor a lá Arnaldo Baptista e Fughetti Luz. Um álbum que recriou a Tropicália e ao mesmo tempo representou de forma talentosa as bandas da zona leste de São Paulo. Com ele o grupo expandiu seus limites, sem perder a coerência.

Depois do álbum houve uma nova mudança na formação e Os Skywalkers passaram a se apresentar  com Lennon Fernandes nos teclados e Jr. Bocão no contrabaixo. Tocaram na “Semana da Canção” em São Luiz de Paraitinga, (na qual composições de Pedro Bizelli ficaram entre as finalistas), e se apresentaram (ao lado dos Haxixins) no programa “Experimente” do canal Multishow apresentado por Edgar Piccoli.

Atualmente, Os Skywalkers estão ensaiando (a todo vapor) com uma formação que incluiu o antigo baixista Rafael Roque e também Alexandre Romera (ex-Haxixins) no teclado, para o show no Sesc V. Mariana dentro do projeto “Ecos da semana de 1922 – a semana de arte moderna, 90 anos depois”.

O evento traz para os dias de hoje o espírito desta importante época artística, que transgrediu padrões e influênciou a Tropicália, material que será a base do show dos Skywalkers no dia 15 de fevereiro. Na entrevista que segue os rapazes comentam sobre a apresentação e também dos planos para o futuro. Boa leitura para todos.

01. Como surgiu o convite para este show no Sesc Vila Mariana revisitando a Tropicália?
Fomos convidados pela curadoria do SESC. A idéia do projeto “ecos da semana de 22” é aglutinar bandas e artistas que dialogam culturamente com os ideais da semana de 22. Os Skywalkers entraram pela identificação com o tropicalismo, que foi um eco desses ideais, principalmente pelo viés de Oswald de Andrade. A gente então reverbera o eco tocando alguas canções e escancara a diluição disso tudo pela “tropitralha” mostrando canções nossas.

02. Qual foi o critério usado para montar o repertório da apresentação?
A ideia é fazer um show diferenciado e temático mesmo, com canções que comentam de alguma maneira os ecos da semana de 22 a partir do tropicalismo revisitado pela banda, tanto no repertório próprio como nas versões. Apresentaremos então não apenas canções seminais do movimento tropicalista, mas também uma e outra que tem afinidade com o tema, mas que, por motivos diversos, não integraram o tropicalismo no fim dos anos 60. Então o repertório inclui Gil, Caetano, Carmem Miranda, mas também Ronnie Von,  Liverpool, entre outras surpresas.

03. O set vai incluir também faixas de autoria da banda?
Sim. Apresentaremos canções dos dois primeiros discos e canções inéditas que convergem esteticamente para o tema do show.  Isso acontece naturalmente com várias canções dos Skywalkers, e acho que por isso mesmo fomos convidados. Apresentaremos então as inéditas mais psicodélicas e suingadas, ainda mais valorizadas pela entrada de Alexandre Romera (ex-Haxixins) nos teclados.

04. Quais são os planos futuros, vocês já tem material reservado para o lançamento de um terceiro álbum?
Sandro, se formos contar temos quase 40 canções inéditas. Era para lançarmos material no ano retrasado, mas a banda ficou num hiato durante dois anos com a volta do Jr. Bocão para Alagoas – o que até implicou sua participação na gravação do “Experimente” na Multishow. O Lennon Fernandes estava dividido e meio atarefado com o disco e shows com o Tomada, além dos trabalhos no estúdio. O Rafael acabou a faculdade e voltou para a banda, então fizemos alguns shows e tocamos repertório novo como trio mesmo. Agora com o Alexandre nos teclados a sonoridade deu uma liga muito bacana, e começaremos as gravações logo após o show.

Deixem aqui um recado, um toque para aqueles que querem conhecer melhor o som dos Skywalkers e adquirir os discos.
Primeiramente gostaria de agradecer a você, Sandro, pela força de sempre! E gostaria de convidar a todos para assistirem o show do dia 15, porque será um show muito especial, até pelo momento diferente e de retomada da banda a todo o vapor. Temos o Myspace , Meu canal do Youtube , tem quase todo o material dos dois discos, demos, etc.
Nosso material físico, os dois Cds, estão eternamente em catálogo na Baratos Afins  do querido Luiz Calanca.

E é isso aí ! Valeu Sandro!


Os Haxixins, fuzz debaixo das pedras.

outubro 8, 2011

Oriundos da zona Leste de São Paulo ou “zona Lost” (trocadilho as vezes usado pela banda e amigos/músicos da região), os Haxixins exercitaram (e exercitam) nos inferninhos e espaços de shows underground da cidade o seu poder de fogo rumo ao mais absoluto rock de garage sessentista.
As apresentações lisérgicas, a engenhosa gravação de um primeiro álbum, somado também a um rigoroso resgate visual “Garage Punk”, trouxe um inegável reconhecimento que proporcionou à banda turnês pela Europa e uma discografia que já conta com dois álbuns e singles em vinil lançados na Europa e também na América do Norte. Com isso é possível salientar que na história do rock brasileiro (e também mundial) já há para eles um capítulo reservado.

Claro não podemos esquecer que de lá (da zona Lost) vieram também muitas outras bandas absolutamente representativas para o rock feito na capital paulistana como: Os Skywalkers, FuzzFaces, Laboratório SP, Moon Patrol, Surfin Bastard, Os Migalhas, Sprint 77, Transistors, Os Cavernas, Os Farpas, Os Hitchcocks, Modulares, Os Radiophonicos, Parallèles…, formando um caleidoscópio onde atualmente é processado e reorganizado a cada instante a matriz do rock and roll.

Fuzz, barulho, psicodelia, distorção, transgressão, Freak-Beat, Acid Punk, Flower Punk, nesse contexto, os Haxixins são também mais um dos espelhos que reflete intensamente essas idéias e sons, e é isso que podemos conferir nessa entrevista que segue.

Falem um pouco sobre o início dos Haxixins (a ideia do nome) e também das experiências musicais anteriores ainda com os The Merry Pranksters, em que período foi exatamente essa transição? Bem, essa transição ocorreu no final de 2002. Os The Merry Pranksters era formado por mim, Ulisses e Fernando. A gente também tocava na maioria sons próprios influenciados pelos 60´s, só que soava mais pesado e era cantado em inglês. Foi quando nós fizemos uma música diferente, cantada em português e com teclado. Chamamos o Daniel pra fazer o baixo e o Fernando pulou para o teclado e batizamos aquela formação de Os Haxixins, nome tirado de um livro de contos de Theophile Gautier. A idéia era fazer algumas apresentações, ver o que iria dar e continuar com os Pranksters. Mas foi então que o Fernando decidiu deixar a banda pra fazer outras coisas. O Ulisses e eu então resolvemos acabar com os Pranksters e dar continuidade aos Haxixins juntamente com o Daniel. No início de 2003 começamos então a testar alguns amigos nos teclados até dar certo mesmo com o Alexandre. Foi mais ou menos assim.

Um ponto importante para construir a indentidade atual da banda era que o registro das composições soasse a altura de suas referências vindas diretamente de obscuros grupos de garage sessentista, vocês acham que essa questão encontrou equilíbrio atraves das gravações realizadas no Berlin estúdio usando equipamentos analógicos, juntamente com a produção do Jonas Serodio? Falem um pouco sobre o processo de trabalho no estúdio. É, eu acho que a gente chegou perto. Em algumas gravações mais do que em outras. O problema é que nós não tínhamos tempo pra ficarmos testando. Tanto o primeiro quanto o segundo Lp levaram dois dias de gravação e dois dias de mixagem cada um. Isso com um bom punhado de músicas. Nós tínhamos que chegar no bar montar tudo e depois desmontar pro bar poder funcionar. Era a maior correria. E todos nós estávamos aprendendo com o processo de gravação, mixagem, inclusive o Jonas. Foi bem difícil.

Como se estabeleceu o contato com a Groovie Records em Portugal? Aí a coisa foi mais fácil. Foi por meio da internet. O Luís Futre, sócio do Edgar na Groovie, ouviu algumas dessas nossas gravações no myspace e nos fez o convite. Primeiramente a idéia era até fazer uma coletânea das bandas brasileiras nesse estilo, mas acabou não rolando.

Vocês já acumulam no currículo três turnês pela Europa, façam um pequeno panorama dessas viagens, fatos que julgam ter marcado a história da banda até então, acontecimentos positivos e os percalços surgidos na estrada. Só na primeira tour foram 2 meses tocando. Fomos do sul de Portugal até o Sul da Itália, imagina? Na Espanha tocamos no La Gramola club, verdadeiro santuário das bandas de garagem. Na Itália,tocamos no Skalleta club, local por onde passou o Arthur Lee na sua volta aos palcos agora nos anos 2000. Nessa primeira viagem aconteceu algo também muito engraçado que foi os caras terem marcado um show pra gente num manicomio, num bar/espaço cultural sei lá rsrs que existia dentro de um manicomio e que se chamava “Ulisses”, acredita? O nome do bar!

Na segunda tour a bruxa tava solta! Em Sevilla, tivemos uma baixa com o Caio e tivemos que continuar sem baixista. Foi foda, mas continuamos! Chegando no Primitive Festival, o último show, nós encontramos o Fernando, que tava morando lá na Europa, depois de vários anos. Daí na pressa, no hotel, nós passamos alguns sons com ele e ele tocou metade do show com a gente. Neste festival também tocou os Fleshtones. Depois que nós terminamos o show os caras foram até o nosso camarim pra nos parabenizar pelo som. O maior barato. E na terceira nós também tivemos a sorte de dividir o palco com uma banda das antigas, os Undertones, numa sala fudida em Paris, mas também a seguir na Alemanha eu acabei quebrando o tornozelo, é brincadeira, a gente depois ia tocar na Grécia e acabou não rolando, uma merda!

Vamos imaginar, a casa de vocês em chamas (vamos só imaginar, ok) e a oportunidade de entrar e salvar um único disco, qual seria? Aí é difícil, hein, Sandro! Talvez o “Future” do The Seeds!

No primeiro semestre de 2011 vocês lançaram pela gravadora de Austin, (13 O’Clock Records) o single “Noites Brancas”, este material, assim como o primeiro álbum relançado pela “Get Hip Recordings” podem ser vistos como porta de entrada para apresentações na América do Norte? Há planos nesse sentido? Sim, podem ser vistos desta maneira e nós temos planos sim de ir pra lá, mas até agora não conseguimos firmar um esquema bom. Até porque somos nós mesmos que marcamos os shows e isso dá um puta de um trabalho.

Apesar do reconhecimento da banda atraves de turnês no exterior, no Brasil os Haxixins circulam pelo underground. Em uma matéria no Correio Braziliense (feita pelo Pedro Brandt) vocês levantam a questão da banda quebrar esse anonimato por aqui, em que lugares vocês acham que ainda não chegaram? Já não estamos no anonimato, fogo é quebrar a barreira de ir conseguir tocar. Viajar por aí… o Brasil é grande pra caramba! Mas nunca rola ou os caras não pagam nada. Apesar de que nos últimos meses a gente tem conseguido arrumar uns shows fora de São Paulo. Fomos pro centro-oeste e pro nordeste aí. Mas, porra, de maneira escassa.

O trabalho do Haxixins aponta para o passado em um momento em que a tecnologia esta totalmente inserida no nosso cotidiano, como a banda se relaciona com ferramentas como o My Space, FaceBook e Twiter. Qual é o papel que essas redes socias tiveram para a difusão da banda? Tiveram o papel de nos deixar em contato fácil com outras pessoas mundo afora. Gente da Europa, que é onde tem muita gravadora, muitos bares, e muitos festivais nesse estilo de som. A cultura desse tipo de som lá é enorme. E a gente aqui, com a internet, pode entrar em contato com essa turma toda. Privilégio que algumas bandas antes de nós não tiveram. Se a internet tivesse chegado 10 anos antes do que chegou, outras bandas teriam tido uma sorte diferente.

No panorama de artistas ou bandas brasileiras, existe alguém a quem vocês recorrem como referência ou se identificam de alguma forma? Vários. Os Skywalkers, Transistors, Fuzzfaces, Laboratório SP, Momento 68, Gasolines, Hitchcocks…

Em uma última oportunidade que vi os Haxixins no próprio Berlin ouvi as músicas com atenção, cheguei em casa e fiz na ocasião minha pequena resenha no FaceBook. Lancei para mim mesmo a seguinte pergunta, como soaria o Haxixins anos a frente? 15, 20 anos adiante? Agora é com vocês, me digam o que imaginam? Putzz, acho que seria uma mistura de todas as músicas de raiz do mundo.

Vocês poderiam detalhar o material já lançado pela banda, álbuns, singles, onde podemos achar esse material e também endereços para obter outras informações da banda? Então, teve o primeiro Lp pela Groovie em 2007, em 2008 saiu um compacto também pela Groovie e a edição americana do primeiro Lp pela Get Hip em 180 gramas com capa diferente e duas musicas bônus, em 2009 a Get Hip lançou uma versão deste vinil em cd e em 2010 saiu o segundo Lp pela Groovie chamado “Debaixo das Pedras” e agora em 2011 saiu um compacto pela 13 O’Clock Records. Dá pra achar eles nos sites da Groovie Records, da Get Hip Recordings, e da 13 O’Clock Records. Informações nossas no facebook da banda e também no myspace!

Esta última pergunta é na verdade um espaço para vocês deixarem qualquer comentário que julgarem ser interessante para aqueles que já conhecem os Haxixins e aqueles que nunca ouviram falar. Bom, pra quem não sabe o Alexandre deixou a banda e no lugar dele entrou o Douglas que tocava nos Farpas junto com o Eduardo. A gente tá dando uma renovada nos sons agora e vamos lançar um compacto aí logo mais pra carimbar essa nova fase! Ademais, é isso aê! Um abração pra você, Sandro!


Teenage Fanclub, The Week em 11.05.2011

maio 12, 2011

Desde os primeiros boatos de uma nova apresentação do Teenage Fanclub em São Paulo entusiastas da banda se colocaram em estado de alerta. A confirmação da data, dia 11 de maio e o lugar, a The Week, vieram junto da dificuldade para comprar os ingressos, só vendidos através do site “Ingresso Rápido”. Acabei não conseguindo e perdi as esperanças, mas no final da história por conta de um amigo ter desistido dessa aventura, lá estava eu de ingresso na mão testemunhando novamente os rapazes de Glasgow passando a limpo 20 anos de boa música.

Diferente da outra oportunidade em maio de 2004, onde o repertório foi espalhado em tres apresentações na choperia do Sesc, nessa volta eles teriam apenas uma noite para mostrar porque são o que são, e foi justamente o que aconteceu, a banda percorreu sua discografia pontuada de clássicos do “indie” rock mundial e levou o público nessa jornada até o início do anos 90 com a catártica “Everything Flows”, uma experiência unica para a audiência, veteranos tocando com tanta garra e simpatia e o público cantando e dançando, puro divertimento, todos pareciam crianças em um parque de diversão. Lindo!!!

Na medida do possível acompanhei tudo que a banda gravou, do início flertando com texturas quase “grunge”, indo ao aprimoramento de melodias e referências do power pop e folk-rock dos ícones Big Star, Byrds e Neil Young, todos os discos da banda tem sua relevância dentro da história do rock. Procurando pelos álbuns que mais me identifico, chego em uma divisão que corresponde a passagem dos bateristas pelo grupo, Francis McDonald, Brendan O’Hare, Paul Quinn e novamente Francis McDonald, fico então com dois grandes discos da banda “Grand Prix” de 95 e “Songs From Northern Britain” de 97, com Paul Quinn na batera. Porém isso é só uma observação pessoal, pois cada disco com seus respectivos bateristas se tornaram uma nova faceta da banda. “Man-Made”, por exemplo (de 2005, e que foi lançado aqui pela Slag) foi um disco que ouvi até furar.

O show do Teenage quase que conta a minha própria história curtindo música por essa cidade imensa, sem dúvida um grande momento, e que me foi possibilitado na última hora. (Edu meu camarada te devo essa)


Flyers e cartazes

março 25, 2011

Recentemente, resgatei dos meus arquivos alguns cartazes e flyers, com a intenção de transformar parte desse material em formato digital para um eventual uso na internet. Entre eles essa pequena sequência que registra a primeira apresentação (depois de alguns ensaios em garagens, quartos e estúdios) de cada banda que participei e também da atual Continental Combo.

Faces e Fases – 1ª apresentação no projeto “Boletim Samizdat” no Madame Satã em 03.11.1988. Depois de algumas excurções por palcos de escolas e outros espaços do bairro na Zona Norte (mais precisamente o Imirim e a V.N Cachoeirinha), fizemos nossa derradeira estréia no cultuado Madame Satã, Flávio Telles era catequizador e no meio do set de futuras apresentações da banda, bradava: “o Mod existe”. Enfim acho que acreditávamos nisso, rsrs.

The Charts – 1ª apresentação no Bar “Dama da Noite” no Bixiga em 29.07.1990. Com o final do Faces o Flávio e eu ficamos um tempo sem tocar só ouvindo Rhythm and Blues, depois encontramos dois comparssas para nossa nova aventura musical, depois de alguns ensaios na casa do baterista Roberto “Vovô” Tomé” a caravana mod/R&B/Soul se deslocou para o Bixiga e fizemos nossa primeira apresentação nesse bar com o nome super bonito.

Momento 68 – 1ª apresentação no Bar Borracharia em 14.08.1999. Ainda tocando no Charts montei esse projeto com o amigo Plato Divorak (um músico muito influente no meu trabalho desde então), fizemos essa uníca apresentação como duo, depois o Momento 68 seguiu tocando em formato de banda, nesse dia estava muito frio, depois dos shows na Borracharia fomos todos assistir o Sala Especial no auditório do MAM no Ibirapuera, foi um sábado extremamente musical!!.

Continental Combo – 1ª apresentação no Brit Rock Bar em 08.03.2003. Em dezembro de 2002, o Momento 68 ficou sem baterista, a idéia de montar uma nova banda pairou sobre nossas cabeças, chamamos o Rogério Meni e nasceu o Continental Combo, em março do ano seguinte já estavamos tocando pela cidade. O Robson dono do Brit Rock Bar vivia dizendo que fecharia a casa, antes que isso acontecesse levamos nos equipamentos e fizemos uma estréia muito emocionante para um público absolutamente reduzido.

Lembranças, Lembranças.


The Left Banke, lirismo ilimitado

fevereiro 3, 2011

Nos anos sessenta o rock and roll se desdobrou em uma grande variedade de subgenêros que antecederam em vários aspectos tudo que se conhece na música pop contempôranea. O rock progressivo, por exemplo (tão combatido pela urgência do punk na segunda metade dos anos 70), teve parte de sua origem em extintos grupos psicodélicos que experimentaram temas arrojados e composições altamente sofisticadas ainda por volta de 1966.

O grupo Left Banke que surgiu em Nova York é um claro exemplo. Em sua carreira meteórica a banda deixou composições que estavam além do rock de três acordes, explorando sonoridades do rock-barroco ao “quase” sunshine pop. A banda teve seu ínicio como todo grupo, um pouco ajudada pela sorte e também, neste caso, pelo grande talento dos musicos.

O baixista Tom Finn e o baterista George Cameron foram praticamente os responsáveis pelo que viria a ser o Left Banke. Amigos já em 1964, vieram respectivamente dos grupos The Castels e The Morticians, mas foi com o grupo The Magic Plants que se estabeleceu uma nova associação.

Quando a banda realizava sessões de gravação sob a produção de Harry Lookofsky, mantiveram contato com o um jovem pianista Michael Brown filho de Harry, deste encontro casual surgiu a oportunidade de trabalharem juntos em algumas composições, Cameron contatou seu amigo Steve Martin, um cantor vindo de Madri residindo em Nova York desde de 1965, Lookfsky produziu algumas gravações com o novo grupo e logo em seguida levou à Mercury/Smash Records. Em 1966 já com o nome de The Left Banke, lançam o single “Walk Away Renee”, brilhante composição de Michael Brown, na ocasião com 16 anos. Esta faixa foi posteriormente regravada e incluida no set ao vivo de nomes como: Four Tops (em 1968), Badly Drawn Boy, Billy Bragg, Elliott Smith, Cyndi Lauper, entre outros.

Em seguida veio “Pretty Balerina” outra composição de Brown que demarca todo lirismo da banda. O grupo agrega o guitarrista Jeff Winfield em seus shows que logo em seguida é substituído por Rick Brand. O álbum “Left Banke” é lançado em janeiro de 1966 e vem marcar um período de desentendimento entre seus integrantes. Sem medir consequências Michael Brown resolve não tocar na turnê do grupo, se isolando em estúdio para compôr, nos shows ele é substituído por Emmett Lake.

Steve, Tom e Cameron de um lado, Michael Brown e seu pai de outro, criaram uma disputa que levantou boatos e confusões sobre a existência de duas facções trabalhando sob o nome de Left Banke. Em setembro 1967 veio a reconciliação e o início das gravações do segundo album, novamente o guitarrista é substituído e no lugar de Rick Brand entra Tom Feher. “Goodbye Holy”, “Desiree” são clássicos instantâneos de “Left Banke Too”, segundo disco da banda lançado em 1968. Em novembro de 69, após o lançamento de singles como: “Pedestal” e “Myrah” e exato um ano depois de “Left Banke Too” o grupo se separa oficialmente.

Michael Brown forma o Montage e depois o The Stories, que lançou dois discos pela Kama Sutra, formou nos 70’s o The Beckies e atuou nos 90’s como músico de estúdio. Finn, Martin e Cameron retornaram com o Left Banke em 1978 e gravaram o álbum “Voices Calling” lançado oito anos depois pela Bam-Caruso Records, um disco absolutamente sem brilho comparado a obra da banda nos anos sessenta.

Ouvindo o sensacional trabalho de bandas como o Left Banke, ou contemporâneos como os Zombies e Millennium, fica fácil perceber que não foram só os albuns “inovadores e sofisticados” como “Sgt Peppers” ou “Pet Sounds” que levaram a música pop um passo, ou melhor, dez passos à diante.

Confira a bela compilação “There’s Gonna Be a Storm: The Complete Recordings 1966–1969” lançada pela Mercury/Polygram em 1992.

Por Sandro Garcia