The Left Banke, lirismo ilimitado

fevereiro 3, 2011

Nos anos sessenta o rock and roll se desdobrou em uma grande variedade de subgenêros que antecederam em vários aspectos tudo que se conhece na música pop contempôranea. O rock progressivo, por exemplo (tão combatido pela urgência do punk na segunda metade dos anos 70), teve parte de sua origem em extintos grupos psicodélicos que experimentaram temas arrojados e composições altamente sofisticadas ainda por volta de 1966.

O grupo Left Banke que surgiu em Nova York é um claro exemplo. Em sua carreira meteórica a banda deixou composições que estavam além do rock de três acordes, explorando sonoridades do rock-barroco ao “quase” sunshine pop. A banda teve seu ínicio como todo grupo, um pouco ajudada pela sorte e também, neste caso, pelo grande talento dos musicos.

O baixista Tom Finn e o baterista George Cameron foram praticamente os responsáveis pelo que viria a ser o Left Banke. Amigos já em 1964, vieram respectivamente dos grupos The Castels e The Morticians, mas foi com o grupo The Magic Plants que se estabeleceu uma nova associação.

Quando a banda realizava sessões de gravação sob a produção de Harry Lookofsky, mantiveram contato com o um jovem pianista Michael Brown filho de Harry, deste encontro casual surgiu a oportunidade de trabalharem juntos em algumas composições, Cameron contatou seu amigo Steve Martin, um cantor vindo de Madri residindo em Nova York desde de 1965, Lookfsky produziu algumas gravações com o novo grupo e logo em seguida levou à Mercury/Smash Records. Em 1966 já com o nome de The Left Banke, lançam o single “Walk Away Renee”, brilhante composição de Michael Brown, na ocasião com 16 anos. Esta faixa foi posteriormente regravada e incluida no set ao vivo de nomes como: Four Tops (em 1968), Badly Drawn Boy, Billy Bragg, Elliott Smith, Cyndi Lauper, entre outros.

Em seguida veio “Pretty Balerina” outra composição de Brown que demarca todo lirismo da banda. O grupo agrega o guitarrista Jeff Winfield em seus shows que logo em seguida é substituído por Rick Brand. O álbum “Left Banke” é lançado em janeiro de 1966 e vem marcar um período de desentendimento entre seus integrantes. Sem medir consequências Michael Brown resolve não tocar na turnê do grupo, se isolando em estúdio para compôr, nos shows ele é substituído por Emmett Lake.

Steve, Tom e Cameron de um lado, Michael Brown e seu pai de outro, criaram uma disputa que levantou boatos e confusões sobre a existência de duas facções trabalhando sob o nome de Left Banke. Em setembro 1967 veio a reconciliação e o início das gravações do segundo album, novamente o guitarrista é substituído e no lugar de Rick Brand entra Tom Feher. “Goodbye Holy”, “Desiree” são clássicos instantâneos de “Left Banke Too”, segundo disco da banda lançado em 1968. Em novembro de 69, após o lançamento de singles como: “Pedestal” e “Myrah” e exato um ano depois de “Left Banke Too” o grupo se separa oficialmente.

Michael Brown forma o Montage e depois o The Stories, que lançou dois discos pela Kama Sutra, formou nos 70’s o The Beckies e atuou nos 90’s como músico de estúdio. Finn, Martin e Cameron retornaram com o Left Banke em 1978 e gravaram o álbum “Voices Calling” lançado oito anos depois pela Bam-Caruso Records, um disco absolutamente sem brilho comparado a obra da banda nos anos sessenta.

Ouvindo o sensacional trabalho de bandas como o Left Banke, ou contemporâneos como os Zombies e Millennium, fica fácil perceber que não foram só os albuns “inovadores e sofisticados” como “Sgt Peppers” ou “Pet Sounds” que levaram a música pop um passo, ou melhor, dez passos à diante.

Confira a bela compilação “There’s Gonna Be a Storm: The Complete Recordings 1966–1969” lançada pela Mercury/Polygram em 1992.

Por Sandro Garcia

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