Os Haxixins, fuzz debaixo das pedras.

outubro 8, 2011

Oriundos da zona Leste de São Paulo ou “zona Lost” (trocadilho as vezes usado pela banda e amigos/músicos da região), os Haxixins exercitaram (e exercitam) nos inferninhos e espaços de shows underground da cidade o seu poder de fogo rumo ao mais absoluto rock de garage sessentista.
As apresentações lisérgicas, a engenhosa gravação de um primeiro álbum, somado também a um rigoroso resgate visual “Garage Punk”, trouxe um inegável reconhecimento que proporcionou à banda turnês pela Europa e uma discografia que já conta com dois álbuns e singles em vinil lançados na Europa e também na América do Norte. Com isso é possível salientar que na história do rock brasileiro (e também mundial) já há para eles um capítulo reservado.

Claro não podemos esquecer que de lá (da zona Lost) vieram também muitas outras bandas absolutamente representativas para o rock feito na capital paulistana como: Os Skywalkers, FuzzFaces, Laboratório SP, Moon Patrol, Surfin Bastard, Os Migalhas, Sprint 77, Transistors, Os Cavernas, Os Farpas, Os Hitchcocks, Modulares, Os Radiophonicos, Parallèles…, formando um caleidoscópio onde atualmente é processado e reorganizado a cada instante a matriz do rock and roll.

Fuzz, barulho, psicodelia, distorção, transgressão, Freak-Beat, Acid Punk, Flower Punk, nesse contexto, os Haxixins são também mais um dos espelhos que reflete intensamente essas idéias e sons, e é isso que podemos conferir nessa entrevista que segue.

Falem um pouco sobre o início dos Haxixins (a ideia do nome) e também das experiências musicais anteriores ainda com os The Merry Pranksters, em que período foi exatamente essa transição? Bem, essa transição ocorreu no final de 2002. Os The Merry Pranksters era formado por mim, Ulisses e Fernando. A gente também tocava na maioria sons próprios influenciados pelos 60´s, só que soava mais pesado e era cantado em inglês. Foi quando nós fizemos uma música diferente, cantada em português e com teclado. Chamamos o Daniel pra fazer o baixo e o Fernando pulou para o teclado e batizamos aquela formação de Os Haxixins, nome tirado de um livro de contos de Theophile Gautier. A idéia era fazer algumas apresentações, ver o que iria dar e continuar com os Pranksters. Mas foi então que o Fernando decidiu deixar a banda pra fazer outras coisas. O Ulisses e eu então resolvemos acabar com os Pranksters e dar continuidade aos Haxixins juntamente com o Daniel. No início de 2003 começamos então a testar alguns amigos nos teclados até dar certo mesmo com o Alexandre. Foi mais ou menos assim.

Um ponto importante para construir a indentidade atual da banda era que o registro das composições soasse a altura de suas referências vindas diretamente de obscuros grupos de garage sessentista, vocês acham que essa questão encontrou equilíbrio atraves das gravações realizadas no Berlin estúdio usando equipamentos analógicos, juntamente com a produção do Jonas Serodio? Falem um pouco sobre o processo de trabalho no estúdio. É, eu acho que a gente chegou perto. Em algumas gravações mais do que em outras. O problema é que nós não tínhamos tempo pra ficarmos testando. Tanto o primeiro quanto o segundo Lp levaram dois dias de gravação e dois dias de mixagem cada um. Isso com um bom punhado de músicas. Nós tínhamos que chegar no bar montar tudo e depois desmontar pro bar poder funcionar. Era a maior correria. E todos nós estávamos aprendendo com o processo de gravação, mixagem, inclusive o Jonas. Foi bem difícil.

Como se estabeleceu o contato com a Groovie Records em Portugal? Aí a coisa foi mais fácil. Foi por meio da internet. O Luís Futre, sócio do Edgar na Groovie, ouviu algumas dessas nossas gravações no myspace e nos fez o convite. Primeiramente a idéia era até fazer uma coletânea das bandas brasileiras nesse estilo, mas acabou não rolando.

Vocês já acumulam no currículo três turnês pela Europa, façam um pequeno panorama dessas viagens, fatos que julgam ter marcado a história da banda até então, acontecimentos positivos e os percalços surgidos na estrada. Só na primeira tour foram 2 meses tocando. Fomos do sul de Portugal até o Sul da Itália, imagina? Na Espanha tocamos no La Gramola club, verdadeiro santuário das bandas de garagem. Na Itália,tocamos no Skalleta club, local por onde passou o Arthur Lee na sua volta aos palcos agora nos anos 2000. Nessa primeira viagem aconteceu algo também muito engraçado que foi os caras terem marcado um show pra gente num manicomio, num bar/espaço cultural sei lá rsrs que existia dentro de um manicomio e que se chamava “Ulisses”, acredita? O nome do bar!

Na segunda tour a bruxa tava solta! Em Sevilla, tivemos uma baixa com o Caio e tivemos que continuar sem baixista. Foi foda, mas continuamos! Chegando no Primitive Festival, o último show, nós encontramos o Fernando, que tava morando lá na Europa, depois de vários anos. Daí na pressa, no hotel, nós passamos alguns sons com ele e ele tocou metade do show com a gente. Neste festival também tocou os Fleshtones. Depois que nós terminamos o show os caras foram até o nosso camarim pra nos parabenizar pelo som. O maior barato. E na terceira nós também tivemos a sorte de dividir o palco com uma banda das antigas, os Undertones, numa sala fudida em Paris, mas também a seguir na Alemanha eu acabei quebrando o tornozelo, é brincadeira, a gente depois ia tocar na Grécia e acabou não rolando, uma merda!

Vamos imaginar, a casa de vocês em chamas (vamos só imaginar, ok) e a oportunidade de entrar e salvar um único disco, qual seria? Aí é difícil, hein, Sandro! Talvez o “Future” do The Seeds!

No primeiro semestre de 2011 vocês lançaram pela gravadora de Austin, (13 O’Clock Records) o single “Noites Brancas”, este material, assim como o primeiro álbum relançado pela “Get Hip Recordings” podem ser vistos como porta de entrada para apresentações na América do Norte? Há planos nesse sentido? Sim, podem ser vistos desta maneira e nós temos planos sim de ir pra lá, mas até agora não conseguimos firmar um esquema bom. Até porque somos nós mesmos que marcamos os shows e isso dá um puta de um trabalho.

Apesar do reconhecimento da banda atraves de turnês no exterior, no Brasil os Haxixins circulam pelo underground. Em uma matéria no Correio Braziliense (feita pelo Pedro Brandt) vocês levantam a questão da banda quebrar esse anonimato por aqui, em que lugares vocês acham que ainda não chegaram? Já não estamos no anonimato, fogo é quebrar a barreira de ir conseguir tocar. Viajar por aí… o Brasil é grande pra caramba! Mas nunca rola ou os caras não pagam nada. Apesar de que nos últimos meses a gente tem conseguido arrumar uns shows fora de São Paulo. Fomos pro centro-oeste e pro nordeste aí. Mas, porra, de maneira escassa.

O trabalho do Haxixins aponta para o passado em um momento em que a tecnologia esta totalmente inserida no nosso cotidiano, como a banda se relaciona com ferramentas como o My Space, FaceBook e Twiter. Qual é o papel que essas redes socias tiveram para a difusão da banda? Tiveram o papel de nos deixar em contato fácil com outras pessoas mundo afora. Gente da Europa, que é onde tem muita gravadora, muitos bares, e muitos festivais nesse estilo de som. A cultura desse tipo de som lá é enorme. E a gente aqui, com a internet, pode entrar em contato com essa turma toda. Privilégio que algumas bandas antes de nós não tiveram. Se a internet tivesse chegado 10 anos antes do que chegou, outras bandas teriam tido uma sorte diferente.

No panorama de artistas ou bandas brasileiras, existe alguém a quem vocês recorrem como referência ou se identificam de alguma forma? Vários. Os Skywalkers, Transistors, Fuzzfaces, Laboratório SP, Momento 68, Gasolines, Hitchcocks…

Em uma última oportunidade que vi os Haxixins no próprio Berlin ouvi as músicas com atenção, cheguei em casa e fiz na ocasião minha pequena resenha no FaceBook. Lancei para mim mesmo a seguinte pergunta, como soaria o Haxixins anos a frente? 15, 20 anos adiante? Agora é com vocês, me digam o que imaginam? Putzz, acho que seria uma mistura de todas as músicas de raiz do mundo.

Vocês poderiam detalhar o material já lançado pela banda, álbuns, singles, onde podemos achar esse material e também endereços para obter outras informações da banda? Então, teve o primeiro Lp pela Groovie em 2007, em 2008 saiu um compacto também pela Groovie e a edição americana do primeiro Lp pela Get Hip em 180 gramas com capa diferente e duas musicas bônus, em 2009 a Get Hip lançou uma versão deste vinil em cd e em 2010 saiu o segundo Lp pela Groovie chamado “Debaixo das Pedras” e agora em 2011 saiu um compacto pela 13 O’Clock Records. Dá pra achar eles nos sites da Groovie Records, da Get Hip Recordings, e da 13 O’Clock Records. Informações nossas no facebook da banda e também no myspace!

Esta última pergunta é na verdade um espaço para vocês deixarem qualquer comentário que julgarem ser interessante para aqueles que já conhecem os Haxixins e aqueles que nunca ouviram falar. Bom, pra quem não sabe o Alexandre deixou a banda e no lugar dele entrou o Douglas que tocava nos Farpas junto com o Eduardo. A gente tá dando uma renovada nos sons agora e vamos lançar um compacto aí logo mais pra carimbar essa nova fase! Ademais, é isso aê! Um abração pra você, Sandro!

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