Os Skywalkers, Tropitralha a todo vapor.

fevereiro 9, 2012

A capital paulista testemunhou na segunda metade dos anos noventa uma movimentação de bandas e selos independentes. Foi um período de autoprodução, apoiado por gravadoras ainda iniciantes como a Slag, Menino Muquito Records e a Ordinary Recordings, e seus lançamentos em formato fita k7. Surgiram bandas como: Pullovers, Sala Especial, Flaming Salt, Os Espectros, Effervescing Elephant, Buchers Orchestra, Red Meat, Ultrasom, Monokini, Liquid, Super Heaven, TPM, Objeto Amarelo, Forgotten Boys, Fishlips, Ponche, Momento 68, Headache entre muitas outras. 

Foi nesse contexto (de novidades) que em 1997, vindos da zona leste, Os Skywalkers deram seus primeiros passos, resgatando o rock de garage sessentista de bandas como: Love, C.A. Quintet, Strawberry Alarm Clock, Seeds e Music Machine. O trio formado por Pedro Bizelli (voz e guitarra), Alberto Ziolli (voz e baixo) e Rodrigo Lobatto (bateria) começou a esboçar suas primeiras composições em inglês, e o fizeram quando a zona leste ainda não havia chamado a atenção para sí, por agrupar logo depois muitas outras bandas que dialogariam com influências semelhantes, vindas do proto-punk, garage Nuggets, Mod e psicodelia. A Slag Records lançou dois K7s “Inside You” e “What´s Reality” que apresentou o material inicial do grupo. Em 2000 a banda incluiu a faixa “I’m Feeling So Blue” na compilação “Brazilian Pebbles” lançada pela Baratos Afins e no ano seguinte gravaram o K7 “A Caixa Mágica” com parte do repertório em português e o novo baixista Rafael Roque.

Com esta formação a banda lançou em 2002 o primeiro álbum “Correndo Atrás do Perigo” pelo selo Baratos Afins, de bônus algumas faixas do K7 “A Caixa Mágica”. Foi uma etapa onde Os Skywalkers  passaram a explorar composições em português e sonoridades além do rock de garage, como a Tropicália (ou ao lado de outras bandas da zona leste a “Tropitralha”), o soul, a jovem-guarda, e a música brasileira. Estética adotada pela banda desde então. No ano seguinte o grupo participou do evento de comemoração dos 25 anos da Baratos Afins no Sesc Pompéia, tocaram em festivais de rock independente pelo Brasil e em casas alternativas, SESCs e espaços públicos como CEUs, bibliotecas e programas Hangar e Pop Mix veiculados pela TVA. 

O entrosamento e aprimoramento musical desde o início do grupo (que passou a contar com Audrey Marie no teclado) foram aplicados no segundo álbum “Zenmakumba”, lançado em 2005, também pela Baratos Afins. O disco foi recebido de forma super positiva pela crítica, elogios merecidos de Pedro Alexandre Sanches, Kid Vinil e Fernado Rosa. “Zenmakumba” apresentou grandes canções como: “Saudação”, “Papo Furado com Irene”, “São Jorge na Lua” e “No Futuro”, valorizadas por ótimos arranjos, naipes de sopro e percussão, costuradas por letras bem sacadas com toques de humor a lá Arnaldo Baptista e Fughetti Luz. Um álbum que recriou a Tropicália e ao mesmo tempo representou de forma talentosa as bandas da zona leste de São Paulo. Com ele o grupo expandiu seus limites, sem perder a coerência.

Depois do álbum houve uma nova mudança na formação e Os Skywalkers passaram a se apresentar  com Lennon Fernandes nos teclados e Jr. Bocão no contrabaixo. Tocaram na “Semana da Canção” em São Luiz de Paraitinga, (na qual composições de Pedro Bizelli ficaram entre as finalistas), e se apresentaram (ao lado dos Haxixins) no programa “Experimente” do canal Multishow apresentado por Edgar Piccoli.

Atualmente, Os Skywalkers estão ensaiando (a todo vapor) com uma formação que incluiu o antigo baixista Rafael Roque e também Alexandre Romera (ex-Haxixins) no teclado, para o show no Sesc V. Mariana dentro do projeto “Ecos da semana de 1922 – a semana de arte moderna, 90 anos depois”.

O evento traz para os dias de hoje o espírito desta importante época artística, que transgrediu padrões e influênciou a Tropicália, material que será a base do show dos Skywalkers no dia 15 de fevereiro. Na entrevista que segue os rapazes comentam sobre a apresentação e também dos planos para o futuro. Boa leitura para todos.

01. Como surgiu o convite para este show no Sesc Vila Mariana revisitando a Tropicália?
Fomos convidados pela curadoria do SESC. A idéia do projeto “ecos da semana de 22” é aglutinar bandas e artistas que dialogam culturamente com os ideais da semana de 22. Os Skywalkers entraram pela identificação com o tropicalismo, que foi um eco desses ideais, principalmente pelo viés de Oswald de Andrade. A gente então reverbera o eco tocando alguas canções e escancara a diluição disso tudo pela “tropitralha” mostrando canções nossas.

02. Qual foi o critério usado para montar o repertório da apresentação?
A ideia é fazer um show diferenciado e temático mesmo, com canções que comentam de alguma maneira os ecos da semana de 22 a partir do tropicalismo revisitado pela banda, tanto no repertório próprio como nas versões. Apresentaremos então não apenas canções seminais do movimento tropicalista, mas também uma e outra que tem afinidade com o tema, mas que, por motivos diversos, não integraram o tropicalismo no fim dos anos 60. Então o repertório inclui Gil, Caetano, Carmem Miranda, mas também Ronnie Von,  Liverpool, entre outras surpresas.

03. O set vai incluir também faixas de autoria da banda?
Sim. Apresentaremos canções dos dois primeiros discos e canções inéditas que convergem esteticamente para o tema do show.  Isso acontece naturalmente com várias canções dos Skywalkers, e acho que por isso mesmo fomos convidados. Apresentaremos então as inéditas mais psicodélicas e suingadas, ainda mais valorizadas pela entrada de Alexandre Romera (ex-Haxixins) nos teclados.

04. Quais são os planos futuros, vocês já tem material reservado para o lançamento de um terceiro álbum?
Sandro, se formos contar temos quase 40 canções inéditas. Era para lançarmos material no ano retrasado, mas a banda ficou num hiato durante dois anos com a volta do Jr. Bocão para Alagoas – o que até implicou sua participação na gravação do “Experimente” na Multishow. O Lennon Fernandes estava dividido e meio atarefado com o disco e shows com o Tomada, além dos trabalhos no estúdio. O Rafael acabou a faculdade e voltou para a banda, então fizemos alguns shows e tocamos repertório novo como trio mesmo. Agora com o Alexandre nos teclados a sonoridade deu uma liga muito bacana, e começaremos as gravações logo após o show.

Deixem aqui um recado, um toque para aqueles que querem conhecer melhor o som dos Skywalkers e adquirir os discos.
Primeiramente gostaria de agradecer a você, Sandro, pela força de sempre! E gostaria de convidar a todos para assistirem o show do dia 15, porque será um show muito especial, até pelo momento diferente e de retomada da banda a todo o vapor. Temos o Myspace , Meu canal do Youtube , tem quase todo o material dos dois discos, demos, etc.
Nosso material físico, os dois Cds, estão eternamente em catálogo na Baratos Afins  do querido Luiz Calanca.

E é isso aí ! Valeu Sandro!

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