Plato Divorak, graduado em loucuras de rua.

fevereiro 29, 2012

Foi em meio a efervescência do rock dos anos oitenta que Plato Divorak iniciou sua trajetória. De certa forma a sua imensa e instigante produção musical desde então têm um paralelo com músicos de Porto Alegre (só para citar alguns nomes) como: Júpiter Maçã, Frank Jorge e Nenung, que já algum tempo vem empunhando um instrumento e escrevendo grandes canções.

Em constante ebulição criativa, Plato é um personagem que já circulou por inúmeros projetos e bandas e com elas desenhou um rico panorama sonoro, absorvendo um pouco de tudo que foi produzido na música mundial (e devolvendo petardos para um público atento), do rock ao soul, do punk ao krautrock, da tropicália ao glam, sem deixar de citar sua habilidade em escrever letras incríveis que fundem a poesia beat, o surrelismo, o noir. 

Podemos tomar como ponto de partida a banda Père Lachaise, onde atuou como vocalista ali na segunda metade dos anos 80, depois, a partir de 93 esteve a frente da Lovecraft um explosivo combo de psicodelia, mod, folk, glam. A Lovecraft lançou em 1996 seu primeiro álbum com 22 canções, o disco também serviu para sedimentar o seu selo, a Krakatoa Records, base para difundir uma infinita quantidade de compilações e seus trabalhos solo. Vale lembrar mas sem entrar em detalhes de datas e formações de alguns projetos que Plato esteve envolvido: Valentine Ray-O-Vac, O.F.F, Os Jaquetas, Perè Lachaise, Lovecraft, Frank e Plato (depois acompanhados da banda Empresa Pimenta), Plato Divorak e Os Sha-Zams, Momento 68, Plato e Os Analógicos, Plato Divorak & Clepsidra, Plato Divorak & Os Exciters, La Odyssea, Platodelic.

Foi através da Krakatoa que em 1997 Plato lançou seu primeiro material solo os dois mini-álbuns (cada um ocupando um lado do K7) intítulado “Movimento Abracadabra/July Obscene” um material recheado de psicodelia pop, acid folk e experimentações, é dele faixas como “Roni” (parceria com Gésner Mess), “Toda Glória de Geléia Raio-X” (parceria com o baixista Régis Sam) e “Freak Out Smile” música que mais tarde ganharia um vídeo clip produzido por Munir Scorpio.

A partir de então vieram uma sequência de discos, compilações de out-takes e lives, como: “Nova Música Proposital Brasileira” de 1998, com faixas gravadas pela banda que o acompanhava Os Sha-Zams, “Eros” também em 1998, o disco de out-takes “Platossaurus Erectus” de 2001. Em 2005 ele lança pelo selo paulista Baratos Afins o álbum “Calendário da Imaginação” seu primeiro material feito em fábrica que compila varias faixas de sua carreira até então. Em 2006 através de outro selo paulista a Open Field sai o disco “Besta Luminosa” outra antologia de suas varias fases musicais, em 2008 lança pela Krakatoa  dois discos “Vulcão de Preciosidades” (que traz raridades como o inusitado cover de “I’m in You” de Peter Frampton e faixas de Frank e Plato e Empresa Pimenta) e “Good Memories” com dois shows na Sala Radamés Gnatalli nos anos 90. Outros títulos (tanto em K7 ou CD) servem para engrossar a lista de suas excursões por estúdios de gravação, como o primeiro material da dupla Frank & Plato “Teen Idols Fora de Órbita” de 97, o álbum ainda inédito do duo (acompanhados da Empresa Pimenta) chamado “Amnésia Global”, a primeira demo do Momento 68 “Onde Estão suas Canções?” de 99 o disco “50 Mosaicos Basileiros” cinquenta canções gravadas pelo projeto La Odyssea em 2001 e “JazzyPunxAquariusLab” gravado em 2003 por Plato, Biba e Zé do Trompete em 2003, ambos lançado em 2008 pela Krakatoa Records.

Se dedicando ao projeto Plato Divorak & Clepsidra (desde de 2005) e que mais tarde se transformaria em Plato Divorak e Os Exciters, grava em 2007 o excelente  primeiro álbum com esta banda, agora metamorfoseado de Platodelic lança “High Times Transcendental” disco que serve para alavancar a entrevista que segue com este inquieto músico e compositor.

01. Já algum tempo na estrada, foi a partir de 2005 que você estabilizou uma parceria com o músico Leonardo Bonfim resultando no ótimo primeiro disco “Plato Divorak e Os Exciters”. Neste seu novo álbum, o inspirado “Platodelic – High Times Transcedental”, que também traz uma grande diversidade sonora você contou com outra parceria, a do músico Juan Acosta, fale um pouco sobre o processo de composição e também sobre as gravações.
E aeh Sandro… com este disco, Os Exciters conseguiram fechar um ciclo, e já possuímos material inédito para um novo disco. O Platodelic durou um ano para ter seu cd gestado. O Juan é um grande amigo meu, brasiguaio, e mora no simpático subúrbio do “Jardim Ipú”. Vários fins de semana eu ia para lá e para o seu home estúdio, arquitetar, experimentar instrumentos e rabiscar boas letras, com bom humor e filosofia, como eu gosto. O Juan chamou seu estúdio de “Jardim Central” tudo correu a mil maravilhas! No caso da faixa “Sentado com o Guru” tivemos que chamar um amigo dele que morava a um quilômetro dalí, para manejar um “Udú” e uma ocarina que não são tão fáceis assim de tocar. Foi o Marcos Diego quem o fez, vocalista da “Erik Van Delic” grupo de Juan. O nome “Platodelic”, é um mix de Plato com Delic. O processo é assim: o Juan como produtor e músico, e eu como músico e com boas “pinceladas”.

02. Quais foram suas principais referências musicais quando estava produzindo este novo material?
Nossas principais referências eram “Early Pink Floyd”, tudo de Syd Barrett e o Tyranossaurus Rex (1ª fase acústica). Tanto Juan como eu trouxemos influências de rock latino 60/70 tipo “Luis Alberto Spinetta” (Alemendra e Pescado Rabioso), Los Shakers, “Arco Íris – todos esses divinos. Eu trouxe o jazz, o soul e a jovem guarda. Ele pôs peso e guitarras com ótimos timbres, tanto nos solos como no ritmo. Juan soube usar “frames”eletrônicos super sutís e as baterias são assim também, mas parecem orgânicas. Curtam o primeiro Platodelic na “Trama Virtual”, porque já estamos premeditando o segundo (que talvez seja cantado em espanhol) petardo!

03. Sem se prender a exatidão de detalhes, você faz idéia de quantas composições, parcerias e letras já acumulou desde de suas primeiras experiências musicais nos anos oitenta?
É quase impossível saber, pois eu possuo masters (em formato de cd) que tive de emprestar a uma ou duas pessoas. Ah, e tem as obscuridades como a faixa “Flower Punk” da Lovecraft, que está na compilção “Saifaíscaflex” de 2002. Se eu não encontro ela alí, não sei o que seria da contagem toda. E eu acho isto de real relevância. Olha, quanto à primeira música: foi com os “Jaquetas”, foi entre “Madame X” e ” Nação e Máfia”…eu cantava e tocava baixo. Foi em 87, um ano prolífico em que as pessoas saíam a noite e não voltavam, Ih Ih!

04. Em retrospectiva, quais os pontos positivos (ou negativos) que você destacaria na sua jornada musical até então, alguma realização pessoal ou um fato que hoje você resolveria de uma outra maneira?
Tudo foi positivo, foi uma escalada até o “limiar profissional”, digamos assim: que conhecí em 1990, com os shows pelo interior, com a “Père Lechaise”! nunca tive problemas também de tocar ao lado de “drogados” ou coisa parecida. Sempre toquei com uma “nata”… Na “Père” eu estava ao lado dos melhores guitarmen da cidade: Vasco Piva, Lúki Flores e Eduardo Christ. Tive uma experiência com ácido lisérgico e isto para mim, faz muita diferença, é diferente das bolas. Eu faria tudo de novo, a mesma velinha no chão…as pessoas não dão a mínima. Eu quero que elas se fodam!!!
 

05. O que exatamente te serve de incentivo e inspiração para continuar seguindo em frente, lançando discos, compondo, fazendo shows?
O tesão é a minha inspiração. A liberdade que a gente pode ter dentro da música também. Durante muito tempo eu manejei os “effects” lá pelo estúdio do Thomas Dreher, aquilo me contaminava! ainda faço isto, mas de forma mais ponderada eu disse uma vez ao Zé do Trompete: – merecemos ser ouvidos por mais de mil!! e ele acenou com a cabeça. O último anjo que ví foi Juan, com suas longas asas brancas, ih, ih… Estamos (Exciters) preparando uma tour no centro do Brasil e isto é parte do nosso negócio. O pensamento já está lá. Sou como os flashes de mil filmes passando rapidamente pelos olhos. Sou anfetamínico e para mim isto nunca foi problema.

06. Sem ordem de preferência quais são os discos que fazem parte da sua discoteca básica, aqueles que você sempre volta a ouvir em casa?
São discos cheios de mistérios e grooves como o “Sgt Pepper” dos Beatles, o “Forever Changes” do Love, o “The Velvet Underground and Nico”, o “Truth” do Jeff Group, o “An Anthology” do guitarmen Duane Allman. Tem o “Cannibalism” do Can, tem o “Sell Out” do Who e o “Vol.4” do Black Sabbath, têm o “Safe as Milk” dos Captain Beefheart e o “Spaces” do Larry Coryell. Meu gosto é muito eclético e a sonzeira já sai no capricho, Sandro. Eu teria mais 100 anos para colocar aquí, só de guloseimas. Sou um cara feliz, pois sempre tive meu aparelhinho de som para escutar tanto cd como K7, tanto vinil como rádio e tal…só o Blu-Ray é que ficou de fora! (risos)

07. Se você fosse convidado para gravar um disco reinterpretando canções de um artista brasileiro, qual seria este artista?
Ah sim, poderia ser um disco só com músicas do “Caetano Veloso” e suas 2 primeiras fases: da tropicalista eu cantaria “Eles” ou “Superbacana” entre tantas outras. Ah, “Cinema Olympia”… na fase “exilado” eu amo “Maria Bethânia” e “You don´t Know Me”. Mas Caetano para mim é permanente. Eu cantaria “Tigresa”, “Irene” e claro, “Leãozinho”. É muito foda, eu poderia ter escolhido artistas como “Luís Melodia”, o “Arnaldo Baptista” ou o “Valter Franco”, mas conheço no máximo 3 vinis de cada um.

08. Conte um pouco da sua recente passagem pela Argentina e Uruguai e sua entrevista na rádio Colonia?
Colônia de Sacramento é uma cidade linda, as margens do Rio da Prata. Se você atravessar de balsa (uma hora de viagem) estará em Buenos Aires. Pois lá em Colânia têm uma rádio (que descobrí desta vez), não uma rádio rock, mas com muito futebol e pecuária. A Dj “Ana Cláudia” fez uma entrevista comigo, falamos sobre tudo. Ela tinha o cabelo que a Elis Regina usou em 1970! ela perguntou qual era o “hit”, eu apontei o dedo na contracapa do cd de “Plato & Os Exciters” e era “Jacqueline dos Theatros”. Ela disse que no dia seguinte, ia rolar no turno da noite. Tive que sair antes para “B.Aires” (albergue da “Calle Florida”, pessoas do mundo todo!!) a diária é tipo 35 reais…e o lugar têm de tudo, drinks, posters do Che Guevara e Borges, e um pub no subsolo chamado “Fusion” (onde me apresentei com uns “candomberos” num “sarau” mucho loco) com muita variação popular. Lá eu toquei um set com “Leãozinho” do Caetano, e mais duas minhas: “Freak -out Smile” e “Puressence Oscillator”. Teve leitura de poesias e até dança árabe !!!, na cidade. Fui ainda calorosamente recepcionado pelo pessoal da “Rádio La Tríbu-Fm”, está sim, 80% rock e afins. Eu sempre com um espanhol “mesurado”, explicando o que foi a Tropicália, a Jovem Guarda no Brasil. Eles gostaram muito, acharam divertido e rolamos “Eu sou um ídolo Pop”, que é a primeira do cd. Foi uma viagem inesquecível! passei por quatro cidades, as duas primeiras foram “La Paloma” e “Montevideo” no Uruguai.

09. Fale um pouco de sua participação no programa da rádio “Chimia Geral” na Ipanema Fm, como aconteceu o convite?
O “Chimia Geral” é o programa de meia-noite da Ipanema-Fm, aquí em Porto Alegre. Pois eu conheci o Dj “Fábio Godoh” há um bom tempo, só não me lembro como, não quero falar bobagem. Ele é o cara mais entusiasta do rock gaúcho que eu conheço. O meu programa é toda quinta-feira da zero hora até as duas da manhã. Vamos rolar vários vinis, incluindo o do “Rock Rocket”, pois toquei aqui com eles, no “Beco”, tava uma loucura, gente saindo pelo ladrão. E tem um set em que eu e o Leonardo Bomfim (guitarra dos Exciters) subimos no palco! Um aviso para o pessoal: tentem achar a “Ipanema – Fm 94.9” no computador, Ipanema.com.br, é gol de placa.


10. O que vem pela frente depois de “High Times Transcendental”?
Vários projetos prontos e pedindo sigilo, que é para não entrar nem aranha, nem morcego! Te digo que o próximo disco será em meu nome, “Plato Divorak” (é meu sétimo como “solista”) e terá (já está gravado, com outtakes, inclusive) uma seleção all-star de músicos daquí! Uma verdadeira ópera com duas faixas superlongas. Os meus parceiros e investidores estão preparando uma coalisão de gabarito. Quero que os fãs e as pessoas fiquem sabendo disso tudo. Peguem as músicas de trabalho lá no site da Senhor F, o nome do single é “Psychodisk”. Ah! até o fim do ano sairá o segundo cd de “Plato Divorak & Os Exciters”.

11. Deixe aqui um recado, algo que queira divulgar para aqueles que já conhecem os seus trabalhos e também para aqueles que nunca ouviram seus discos, projetos e parcerias.  
Eu quero avisar o povo todo que logo, logo, vamos colocar uns dez ou doze cds para baixar no meu site: platodivorak.com. Já ouviram falar do “jazzypunxaquariuslab”? um disco de jazz cósmico, com teclados e trompete que organizei e toquei em 2002…Outra raridade é o “La Odyssea”, cinquenta músicas (de um minuto e pouco cada).Meu e-mail: platodivorak@gmail.com, minha caixa postal lesbian chic: Cx. Postal 517 Agência Central – Porto Alegre – RS CEP 90001-970. Também estou no Facebook! Só queria avisar, pra acabar, que o site é novo e o pessoal pode pegar os cds, bottons e camisetas do “Plato Divorak & Os Exciters” assim como ler o release sobre o nosso disco feito pelo Pedro Brandt .
Um abração aí para o Sandro e a Consuelo e todos.
Keep the Faith!

Download do disco “High Times Transcedental”
Créditos das Fotos – Giovani Pain: Plato e Juan (show na Casa da Traça) e Gabi Lima: Plato Divorak e Os Exciters

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5 Respostas to “Plato Divorak, graduado em loucuras de rua.”


  1. Grande Sandro, passando pra me atualizar no songs e te deixar um abraço

    Marcio Fidelis

  2. mooacir Says:

    Otima entrevista com o Plato ! Que tal enverter e o Plato entrevistar o Sandro ! Que tal nos dar este presente !

  3. Mônica Says:

    Sandro, eu acho que eu to nesse clipe gravado pelo Munir, eu e a Cléo De Paris, o Plato tinha me mandando uma fita de video, mas acabei deixando com o Calanca. Você tem isso? Lembro que quando fui pra Porto Alegre em 99, fomos no Munior gravar umas coisas, mas eu jurava que o clipe era da toda glória da geléia Raio X.
    O Plato que começou a me chamar de Monike, ele dizia que eu era amiga dele modelo de SP.


    • Oi Monica tudo em paz?

      Tenho um VHS chamado “Imaginasom – Shows + Clips”, com vídeos da Pere Lachaise, Lovecraft, Plato Solo, ví a fita toda já algum tempo atras e não me lembro com clareza, mas sei que entre os clips ele editou imagens com você e com a Cléo de Paris.

      Se eu conseguir transcrever este material para digital envio com certeza uma cópia para você, ok

      Um abraço pro Renato e outro pra você
      Sandro


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