No percurso rumo ao espaço oculto.

outubro 16, 2016

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Verdadeiro patrimônio do rock paulistano a banda Violeta de Outono acaba de lançar seu novo álbum batizado de “Spaces”.

O grupo iniciou sua trajetória nos anos 80, a formação original em power trio registrou seu primeiro álbum em 1987, clássico irretocável do rock brasileiro, um resgate memorável da psicodelia sessentista, somado a energia e criatividade de grandes nomes do pós punk daquele período.

“Spaces” solidifica a segunda fase da banda em quarteto, formato que vem atuando em palcos e estúdios há cerca de dez anos. Fabio Golfetti integrante original e principal articulador da sonoridade do grupo, também guitarrista oficial do Gong, explica que o novo disco (que traz uma das letras e design inspirado na obra do poeta e pintor suiço Paul Klee) completa uma trilogia iniciada com “Volume 7” lançado em 2007 e Espectro de 2012.

A formação atual do Violeta de Outono é Fabio Golfetti – guitarra e voz, Fernando Cardoso – teclados, Gabriel Costa – baixo e José Luiz Dinola – bateria.

01. O lançamento do álbum “Spaces” solidifica a trajetória do Violeta de Outono em formato quarteto, ao mesmo tempo completa a “trilogia” de álbuns onde a banda passou a explorar com mais intensidade a sofisticação do jazz, prog, space rock, a cena de Canterbury. Fale um pouco sobre esta fase atual da banda e o início nos anos 80.
Considero praticamente duas bandas, o trio original formado em 1984, com uma proposta de som psicodélico, que resgata a sonoridade de 1966-67 porém influenciado pela atmosfera da época, mais cinzenta e menos colorida, fui buscar a inspiração na poética melancólica oriental, chinesa. As referências musicais do Angelo, Claudio e minhas eram as mesmas, crescemos ouvindo rock progressivo, jazz, música contemporânea e brasileira do Gismonti, Clube da Esquina, além de estarmos ligados às artes visuais com arquitetura e fotografia. Após esse período que rendeu o conceito a sonoridade do grupo e durou duas décadas, decidimos pela entrada de mais um elemento, para buscar uma renovação, os teclados, que havíamos experimentado 10 anos antes e instantaneamente o som se transformou em algo familiar que eu ouvia desde minha adolescência, de um leque que ia de Soft Machine, Syd Barrett Pink Floyd, a Terço. O novo álbum Spaces é a síntese dessa era que se iniciou em 2007 com o álbum Volume 7 que considero um segundo começo do Violeta de Outono.

publicpreview02. Descreva um pouco o processo de gravação do disco.
“Spaces” foi gravado de forma diferente dos outros álbuns, aliei meus conhecimentos MIDI dos anos 1990 à experiência dos últimos 4 anos gravando com o GONG na Inglaterra, e planejei o disco em cada detalhe. O processo começou em ensaios, onde experimentávamos arranjos e formas, e eu registrava as ideias e passava para meu software de composição para sincronizar com o click (metrônomo). Fizemos esse processo durante meses, até que a forma de todas as composições estivesse definida, e decidimos ir ao estúdio. Gravamos todos juntos tocando sobre a base eletrônica, e posteriormente substituímos gradativamente as partes individuais de órgão, pianos, synths, guitarra. Porém, nesse processo, muitas partes da demo original foram utilizadas. Hoje a diferença entre gravar em um bom estúdio e na sua casa é muito pequena, de modo que uma demo já é a arte final.

03. Quais foram as principais influências para compor o material deste novo trabalho?
As influências foram os álbuns anteriores, principalmente “Volume 7” e “Espectro”. “Spaces” é um álbum conceitual, em que todas as faixas têm relação entre si, embora sejam bem distintas umas das outras. A faixa que abre o álbum, ‘Imagens’, foi composta coletivamente em ensaios, onde o tema surgiu inspirado numa sequência de acordes utilizada no álbum ‘Espectro’, como se fosse uma continuação e evolução do próprio trabalho da banda. Outras faixas foram compostas individualmente e arranjadas em grupo. O álbum foi composto influenciado pelo vinil de dois lados, existe uma mágica em ouvir 20 minutos e fazer uma pausa, mesmo que seja uma única música ou várias emendadas, como é o caso das 3 primeiras faixas, o lado A.

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04. O show no Sesc Belenzinho em 22 de outubro marca o lançamento do novo álbum, comente sobre esta apresentação, o set list, os critérios de escolha das músicas.
Faremos um show especial tocando todas as faixas do álbum, para marcar um lançamento e também experimentar o som ao vivo, apesar de que já tocamos todas as faixas em ensaios durante meses.
Não sei dizer quais serão as faixas que vamos manter em shows futuros, mas a ideia é tocar músicas da “trilogia” “Volume 7”, “Espectro” e “Spaces”, e eventualmente algum clássico dos anos 1980. A decisão em focar no repertório atual e gradativamente deixar de lado os anos 1980 é estética, essa banda atual desempenha muito melhor o material composto pelos atuais integrantes, isso é natural, e também essa é uma banda que está em plena evolução, não faz sentido ficar revisitando o passado constantemente, que já foi bem feito e registrado.

05. A banda tem acompanhado o trabalho de artistas e grupos atuais?
Eu (Fabio) tenho acompanhado muito pouco, atualmente trabalhando full time com 2 bandas, o Violeta e o GONG (na Inglaterra), tenho focado e me dedicado apenas a elas, mas sempre acompanho as sugestões do Gabriel Costa que é a antena do grupo, e está presente em vários eventos musicais. Além disso, meu filho Gabriel, que nasceu um excelente músico, é uma das minhas referências dos caminho atuais.

06. Fica aqui um espaço aberto para o Violeta deixar o seu recado aos interessados, dicas de endereços da internet para ouvir material ou saber das novidades.
Agradeço mais uma vez a oportunidade de expressar um pouco sobre nosso trabalho, acredito muito em projetos como este, “vítimas da op art”, pois o Violeta de Outono se manteve por todo esse tempo, graças a iniciativas como essa e o próprio fanzine Invisível, publicado pela banda nos anos 1980-1990. O site atual com as informações oficiais é www.violetadeoutono.com. O disco “Spaces” e outros podem ser adquiridos através do proprio site, por intermédio da gravadora Voiceprint www.voiceprint.com.br

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