Tarsis Cruz, Old and New Faces

fevereiro 2, 2017

14908335_1284945411567888_4972066285906993539_nTarsis Cruz é um talentoso desenhista de São Paulo que desde cedo descobriu a vontade de transformar o papel em branco em algo mais.
Seus estudos começaram em 1998 na Escola e Estúdio de Arte Igayara (com Waldyr Igayara). Tempos depois aluno da Quanta Academia, surge oportunidade de trabalhar com ilustração ao lado do professor Sam Hart, foi assistente de desenhos e colorista atuando em editoras nacionais (Scipione e Panini) e internacionais (como Walker Books-UK).
Recentemente Tarsis incluiu em seu cardápio de ilustrações o universo da sub culturas (Mod, Rude Boys, SuedHead) e também do  jazz, ska, soul. A ideia tomou forma em outubro de 2016 com sua participação no projeto Inktober, o material repercutiu de forma extremamente positiva e foi também oportunidade para exteriorizar sua paixão por música.
É dele a ilustração usada no material de divulgação da festa “Mods Mayday SP 2017“, que acontecerá em fevereiro no centro de São Paulo. Nesta breve entrevista Tarsis comenta sobre sua trajetória, mestres, influências e predileções musicais. Boa leitura.

01. Fale um pouco dos primeiros contatos com ilustração. Sempre fez parte do seus planos se tornar um profissional na área?
Eu sempre gostei de desenhar e de certa forma sempre acabava me destacando na escola por causa disso. Mas com o passar do tempo o hábito de rabiscar os meus cadernos foi se perdendo devagar.
Mas dai, na minha pré-adolescência em meados dos anos 90, houve o boom dos animes no Brasil, com Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, Shurato e os OVAS (Original Vídeo Animation) na temática cyber-punk que passavam às sextas-feiras num bloco chamado US Mangá, tudo na finada Rede Manchete. Isso tudo fez voltar minha vontade de desenhar sem parar e de sonhar com a profissão de desenhista.

02. Conte um pouco da sua trajetória até então.14695476_1271013559627740_5214863113774983650_n
Comecei a estudar formalmente desenho em 1998 na Escola e Estúdio de Arte Igayara, eu tinha 13 anos na época, e isso só aumentou mais ainda minha vontade de trabalhar com ilustração, ainda mais pelo mestre que tive, o Waldyr Igayara que era um ser humano fantástico, com uma bagagem artística e profissional absurdas. Ele trabalhou como editor-chefe da editora Abril por mais de duas décadas, viajando muito nesse período e conhecendo pessoalmente milhares de artistas renomados.
Mas foi em 2006, estudando na Quanta Academia de Artes que tive minha primeira oportunidade de trabalhar com ilustração, graças ao Sam Hart, que na época era meu professor.
Foi o Sam quem abriu as portas para eu começar a trabalhar profissionalmente com arte. Trabalhei com ele durante um tempo como assistente de desenho e depois comecei a colorir parte de seus trabalhos, a maioria histórias em quadrinhos, incluindo projetos nacionais para editoras como Scipione e Panini, e internacionais, para a editora Walker Books da Inglaterra.
Inclusive ano passado terminamos de produzir uma HQ para a Walker Books. Conta a história de Grace O’Malley, uma mulher pirata Irlandesa que viveu durante o século XVI e deu muito trabalho para a Inglaterra. A HQ tem roteiro de Tonny Lee, arte de Sam Hart e cores feitas por mim, com a assistência de meu grande amigo Flávio Costa, que conheço desde as minhas aulas com o mestre Igayara (e que também é um grande ilustrador, ainda mais mais quando faz retratos utilizando as técnicas de carvão e pastel seco). Espero que essa HQ saia ainda nesse ano de 2017.

03. Quais são suas inspirações? Quem você citaria como influência?
Posso citar aqui como minhas maiores influências o francês Moebius, o americano Burne Hogarth e o japonês Katsuhito Otomo. Posso citar aqui mais artistas que me inspiram muito, como Sergio Toppi, Masamune Shirow, Steve Dillon, Juanjo Guarnido, e mais recentemente os trabalhos de Gael Bertrand. A música também me influencia muito, principalmente o Jazz e o Math Rock. Três músicos que me inspiram muito são o baixista Jaco Pastorius e a dupla Omar Rodriguez-López e Cedric Bixler-Zavala da banda The Mars Volta.
Não posso deixar de citar aqui mais duas pessoas, Waldyr Igayara que foi meu primeiro mestre e Octavio Cariello, que conheci na época em que eu estudava na Quanta. Cito eles separadamente aqui porque eles não se destacam apenas como fantásticos profissionais, mas também como pessoas excelentes. Para mim, o mestre não é só uma pessoa exímia em determinada atividade, mas também alguém que leva esses conceitos todos para a vida pessoal, não só te auxiliando a ser um bom profissional, mas também te ajudando a ser uma pessoa melhor.
Mesmo meu mestre Igayara tendo falecido a mais de uma década, seus ensinamentos continuam vivos dentro de mim.

04. Quando surgiu o interesse em abordar em seus trabalhos o universo da sub culturas, (Mod, Rude Boys, SuedHead) e música, jazz, soul?
14906996_1285123231550106_6060618436574044118_nPara ser mais preciso, esse interesse surgiu ano passado quando decidi participar do Inktober. O Inktober é um exercício estimulado mundialmente onde no mês de outubro você produz uma ilustração arte-finalizada por dia, resultando em 31 desenhos no final. Como no fim das contas você não tem muito tempo para pensar no que vai fazer, porque são desenhos feito diariamente, busquei então uma temática que eu gostasse, assim não gastaria muito tempo pensando no que desenhar e me preocuparia mais com a execução. Só que o resultado final saiu melhor do que eu imaginava. Com a ajuda das redes sociais, principalmente do Instagram, minhas ilustrações tiveram repercussão tanto dentro quanto fora do Brasil. Com isso fiz uma exposição, vendi artes originas para fora do país e fui entrevistado pela Deep Flux, uma produtora argentina de eventos e artistas visuais, que entrou em contato comigo exatamente pelo fato de eu abordar as subculturas inglesas e os estilos de música negra. Aliás, de certa forma foi por causa desses trabalho que eu e você acabamos nos conhecendo e acabei sendo chamado para dar essa entrevista hahahaha. O fato de você aplicar em sua arte sua própria experiencia de vida, torna o seu produto final muito mais vivo e chamativo. Os bailes de Soul Music e early Reggae tem uma influência muito importante na minha vida, assim como o estilo de vida Mod. isso só trouxe mais valor para o meu trabalho.

download05. Em 2005 o ilustrador Dave Gibbons (Watchmen), estreou como roteirista (e também ilustrou) na HQ “The Originals – Sangue nas Ruas” (Conrad). A história se passa em um futuro retrô e revisita o conflito entre Mods e Rockers. Você tem planos de desenvolver algo semelhante? O Dave Gibbons é fantástico, e o fato do “The Originals” ter ficado tão bom bate com o que eu disse na minha resposta anterior, a experiência pessoal. O Dave Gibbons foi Mod em 1964 na Inglaterra. Ele sim tem muito o que dizer a respeito. Agora, com relação a eu desenvolver algo semelhante no futuro, vontade é o que não falta. Vou continuar produzindo ilustrações com essas temáticas e me juntar com outros artistas (músicos, roteiristas) para desenvolver trabalhos diferenciados nesse aspecto. Ainda esse ano vocês vão ver algo muito legal que está surgindo em parceria com um grande amigo meu, mas não gosto de falar de projetos sem antes tê-los lançados ao mundo.
Não sei se eu faria num futuro próximo uma HQ, ainda mais porque nunca estudei muito sobre criação de roteiros, e também porque produzir uma HQ de qualidade requer muito tempo e esmero. Mas num futuro um pouco mais distante acho que provável sair algo do tipo. Vamos ver o que o tempo há de fazer.

cartaz-mods-mayday-sp-201706. Tarsis fica aqui um espaço para divulgar seus trabalhos, links e endereços na internet, muito obrigado pela oportunidade, um grande abraço.
Antes de tudo Sandro, gostaria de te agradecer por essa oportunidade e pelo seu interesse em meu trabalho. Já te disse pessoalmente várias vezes de como te admiro pela sua importância para o rock paulista e por ser um dos fundadores do movimento Mod aqui no Brasil, tudo em uma época onde internet era coisa de ficção científica, e para ter acesso a essas informações tinha que ralar muito e realmente fazer parte da cena. Meus contatos:
Portfólio: http://www.tarsiscruz.daportfolio.com/
Instagram: https://www.instagram.com/tarsis_cp/
Facebook: https://www.facebook.com/tarsiscruzz
Valeu!

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