Escambau, Eléctrico na gélida Curitiba.

maio 16, 2018

Oitava cidade mais populosa do país, Curitiba tem uma dinâmica altamente cultural. Na literatura, por exemplo, deu luz ao escritor Dalton Trevisan, ao mítico poeta/compositor Paulo Leminski com uma obra fortemente ligada a música feita no país e a nomes precursores do rock feito em Curitiba como A Chave, Blindagem e a partir do início dos anos oitenta a Beijo AA Força.

A pluralidade musical da cidade é intensa, do punk rock clássico aos anos 90 de bandas como Pinheads, a cena rockabilly e o festival Psycho Carnival, o indie rock do Copacabana Club, Audac, Ruido m/m, a cena mod/sessentista muito bem representada pela veterana Relespública, e no início dos anos 2000 por Dissonantes, Mordida, Criaturas, Tarja Preta e a Faichecleres, explosivo trio onde o baixista e vocalista Giovanni Caruso atuou até 2007 para em seguida expandir suas ideias no novo grupo Escambau.

O Escambau lançou seu primeiro álbum “Acontece nas Melhores Famílias” em 2009, em seguida “Ordem e Progresso via Pão e Circo”/ 2011, “Novo Tentamento” de 2014, o duplo “Sopa de Cabeça de Bagre” em 2017 e logo na sequência neste 2018 o novo EP “Eléctrico” cantado em espanhol. Este novo material (onde cada canção ganhou vídeo) e a discografia servem como prova viva da virtuosa jornada de trabalho e criatividade de uma banda que já deixou também sua marca na paisagem musical da gelada Curitiba.

Na entrevista que segue Giovanni Caruso (voz/guitarra) fala um pouco desta caminhada sonora.

01. Falem um pouco do início da banda, passando a trajetória de cada integrante até então?
O Escambau começou em 2009. Depois de me afastar dos Faichecleres, reuni algumas músicas que tinha na gaveta, compus outras e comecei a gravar um disco com a ajuda do meu irmão Glauco na bateria. Estava com urgência de recomeçar minha carreira logo, por isso optei por gravar um disco primeiro, antes de montar um grupo para cair na estrada. Nesse meio tempo foram aparecendo naturalmente os músicos que viriam a integrar o Escambau. Da formação original somos 4, eu, o Zo Escambau, Ivan Rodrigues, Paraguaya e por último, que também se integrou de uma maneira bastante química e natural, Yan Lemos, que está com a gente desde antes de 2012 acredito eu.

02. Em excelente matéria publicada recentemente no portal A Escotilha, o jornalista Alejandro Mercado comenta que “A Escambau não é uma banda – é uma idéia”, como isso tem funcionado na pratica?
Essa banda é uma viagem, é um troço mutante (e não resistimos a isso) e movido a muito amor, amizade e dedicação. Eu, particularmente, não vejo o Escambau preso a nenhum estilo, propriamente falando. Vejo essa banda como arte, uma arte não estacionária, e a contribuição de todos os envolvidos é muito forte. Sentimos que estamos atravessando o nosso melhor momento, tanto dentro do estúdio como em cima dos palcos, em vista disso estamos produzindo muito, se tivéssemos oportunidade, acredito que imediatamente poderíamos gravar e lançar um álbum quíntuplo. Temos um caráter poético muito forte também, as vezes até agressivo, isso, de repente, demarca um pouco o que o Alejandro quis dizer acho eu, o movimento, a insistência, a teimosia, a contracorrente, acho que tudo isso acaba entrando nessa “condecoração jornalística” que esse rapaz da A Escotilha nos concedeu. Ficamos muito felizes e agradecidos com as palavras que ele nos ofereceu.

30728045_1962584323792373_2114210334494425088_n03. O novo EP (todo cantado em espanhol) expande as experiências sonoras da banda, com ele há planos para apresentações e também frequentar programação de rádio em países da américa latina?
Acho que expande sim, temos fortes ligações com o Paraguay, sempre nos apresentamos por lá, onde temos muitos amigos e apreciadores do nosso trabalho, acredito até que devíamos isso a eles, de certa forma. Na argentina também, fizemos uma turnê de 5 shows por lá e saímos com essa dívida de cantar algo nosso no idioma deles, em julho próximo estamos com uma sequência de shows agendados nos dois países e vamos ver qual será a recepção agora que temos material autoral no idioma deles.

04. Falem um pouco do cenario musical em Curitiba, as dificuldades para seguir adiante produzindo material 100% autoral. Há artistas e bandas que vocês tem identificação?
Curitiba é uma ilha que não tem identificação sequer com o próprio estado a qual pertence e menos ainda com o país, isso torna tudo um pouco mais difícil comercialmente falando, penso eu. Por outro lado, é uma cidade repleta de poesia oriunda dos seus poetas alcoólatras, Curitiba tem muita arte estancada e eu acredito que um dia essa represa vai explodir de alguma forma. O Brasil não conhece o que se faz em Curitiba, aliás, nem Curitiba conhece o que se faz em Curitiba, é uma cidade muito louca. Tem muita música boa e criativa por aqui sim, basta interessar-se.

04. Se tivessem que escolher alguns discos fundamentais na construção sonora da Escambau, quais seriam estes discos?
Sonhos e Memórias do Erasmo, os 3 do Sérgio Sampaio, Tommy do Who, Something Else e Muswell Hilbillies by The Kinks, dos Beatles e Stones, tudo. Artaud do Spinetta, Sui Generis todos, Chistophe do Christophe, Construção do Chico, o primeiro da Gal, The Wings, tudo. Jupiter Maçã, tudo. Etc, etc, e etc. Difícil essa pergunta, hein?! Certamente esqueci 90% kkkkkkkkk…

05. Fica aqui um espaço aberto para deixar um recado aos interessados, dicas de endereços da internet para ouvir material ou saber das novidades.
Quem puder dar uma conferida no nosso trabalho já ficaremos muito agradecidos.

http://www.escambauoficial.com
http://www.facebook.com/escbanda

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